O festim diabólico

O “desfile triunfal” de Jair Bolsonaro em Itamaraju (BA), de braços erguidos numa caminhonete, saudando algumas centenas de pessoas, a pretexto de visitar a área atingida por fortes temporais no final de semana é das coisas mais abjetas que a política brasileira já produziu.

Afinal, fazer uma “carreata de campanha” numa área onde acabavam de morrer 10 pessoas, ferirem-se outras 267 e ficarem desabrigadas mais de 6 mil equivale a “fazer dancinha” em velório.

Dá para entender como este sujeito não se abalou com as mais de 600 mil mortes da pandemia.

Já não se pede a Jair Bolsonaro o que ele não pode dar: governo, soluções, exemplos.

Mas, ao menos decoro diante de uma tragédia era de se esperar.

O governo do Estado, que comete o “crime” de ser de um petista, nem sequer foi contatado. “”Ele [Bolsonaro] não veio prestar solidariedade, veio fazer carreata, e mobilizou seu fanáticos para ficarem gritando, fazendo ato político e agredindo repórter. O atual presidente o que ele gosta de fazer é agredir jornalista, fazer carreata e ato político, ao invés de cuidar da população”, disse Rui Costa.

Não se culpe aquelas pessoas, simples, atraídas pela curiosidade de estar chegando ali, numa comitiva de helicópteros, o presidente da República. Quem é que não iria ver?

Mas Bolsonaro pretende fazer toda a demagogia que estiver ao seu alcance para “aparecer” saudado no meio do povo.

Até mesmo estrelar, do alto da caçamba de uma picape, um festim diabólico, em meio a mortos e feridos.

 

 

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