O marketing de Bolsonaro é o do Bolsonaro, não o do BB

Num exercício de sabujice que provocaria risos em qualquer evento de marketing, o presidente do Banco do Brasil veio apressar-se a dizer, em honra ao veto de Jair Bolsonaro ao comercial do banco que a propaganda “procurava caracterizar o cidadão ‘normal’ como a exceção e a exceção como regra”.

Chamo o senhor Rubem Novaes de sabujo para não chamá-lo de burro e incapaz de dirigir uma empresa que disputa mercado e mercado de relacionamento, diferente daquele de consumo eventual. Porque esta declaração o inabilitaria para a função, por incompetência.

Lembra-me um contemporâneo de faculdade – lá nos anos 70, vejam só – que o velho professor Cid Pacheco dizia que as empresas não  inventam clientes, vão em busca daqueles que existem, e tentam seduzi-los.  O tema do filme não é negritude, não é gay, não é trans, mas é o mundo jovem do qual eles são parte e que é avidamente disputado pelos bancos por uma simples razão: são aqueles que ainda não têm um relacionamento bancário e que, portanto, não resistem com a inércia natural à mudança dos que aqueles que já o têm.

O “personagem” central do filme é o celular e o “app” do Banco e não a cor ou o sexo dosque se alternam em seu uso.

Ainda assim, o sabujismo do presidente do BB é burro, também.

A preocupação de Jair Bolsonaro com a presença de negros ou gays num filme de propaganda é zero. Só um trouxa acha que isso pode se dever ao “conservadorismo de costumes” do presidente, nem sugere que ele queira usar a propaganda do banco para exaltar “respeito à família” que ele alega.

O marketing de Bolsonaro é outro, é o do “eu mando nesta p…”, o do presidente com autoridade, embora só a use em “abobrinhas”, porque em relação aos grandes porblemas nacionais não sabe e não quer agir.

A crise não cessa, a economia se arrasta, o desemprego se evela, o dinheiro encolhe, a previdência não traz benefício algum que seja palpável mas o presidente é “macho” e manda mesmo.

Como escreveu Gabriel García Marques, em seu “Outono do Patriarca”: a pátria e o poder de decidir o seu destino estão em suas mãos, sua vontade, pois ele é o patriarca – o pai da pátria – e o “dono de todo o seu poder”. E que, ainda que tenha “cheiro de merda” e seja habitada povoada por uma “gente sem história”, é o trono sobre o qual se assenta.

Isso é o que lhe importa, não os cabelos pintados dos sujeitos que aparecem no filme no filme, a quem o presidente do BB chama de “anormais”.

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13 respostas

  1. A propaganda procurava caracterizar que o BB é um banco para todos e todas, e não um banco exclusivo só para quem é ‘normal’, mas querer que o tenente Burronaro entenda isso é pedir demais. Mas gostaria de saber como uma besta quadrada, um burro deste quilate conseguiu chegar a tenente. Que me perdoem os burros que são muito mais úteis que este estrupício.

    1. Ele como capitão, é bom em fazer uma ordem ser executada. Ele é capaz de sacrificar um pelotão, pra defender uma ponte ou uma posição estratégica, más é incapaz de entender o PORQUE de defende-la. Por isso ele nunca saiu do posto de capitão, de major pra cima, espera-se mais , alem de obedecer e ser obedecido.

    2. Miriam Lopes, ele conseguiu chegar a tenente porque a qualidade dos instrutores deixa a desejar. Não deve ser prática, onde o Bozo serviu, a utilização de testes de avaliação psicológica, psicotécnica ou até mesmo psiquiátrica. Foi com um destes testes que o Itamaraty barrou a entrada do Batman em seus quadros. Ainda não sabemos como o atual Chanceler conseguiu passar e seguir carreira. Hoje sabemos que é um maluco ocupando alto cargo em governo de doidos.

    3. E a propósito de marketing do “patriarca” e sua prole de incapacitados, o Fernandinho Beira-mar mandou bem na TV, neste domingo. Fez a pinta de que bandido pode, sim, dar entrevista, justo e logo após a entrevista de Lula, que eles ignoraram e, ao mesmo tempo, afastou,, candidamente, a morte de Marielle e Anderson dos gabinetes da chefia miliciana. O acordo foi bom. Vamos ver o que o moço vai levar. Bom, talvez a coisa fique no campo comercial, apenas, coisa de vista grossa para lavagem de dinheiro, mas, mais cedo ou mais tarde, vamos saber. Marketing é tudo. Afinal, falamos de homens de negócio.

  2. O que é autoridade moral? Segundo o dicionário inFormal, é “Autoridade incontestável, inquestionável,
    que emana das pessoas e de homens probos, dignos, honrados, honestos, trabalhadores e acima de toda e de qualquer suspeita.” A ausência da autoridade moral pode pôr em questão a solidez de qualquer medida governamental. Podemos questionar algumas atitudes deste governo baseados na flagrante ausência deste predicado. Uma destas coisas é a venda de metade das refinarias da Petrobras. Quando o senhor Castelo Branco, do alto de sua arrogância, anunciou esta venda, foi exatamente isto que transpareceu: Que ele, mesmo que estivesse investido de uma autoridade formal, (embora questionável, porque afinal a empresa ainda é do povo) que o autorizasse a tanto, não tinha a tal autoridade moral para fazê-lo.

  3. Enquanto ele distrai a plateia, os xi-cago-boys, conservadores, reaças, olavistas vem fazendo o que ele prometeu: eu vim para destruir, desconstruir, custe o que custar, R$40.000.000,00 já está garantido.

  4. Gostaria que esse doente dissesse a quem se referia como anormal. Que ele pudesse ter, ao menos, a desfaçatez de ser ignorante e racista. Assim, quando isso passar, e, vai passar, seres como esse tenham, todos, tirado suas máscaras.

  5. BB é empresa da Nação brasileira e o Governo, seu principal acionista. Bolsonaro é o Presidente da Nação brasileira, portanto, responsável maior pelo gerenciamento das estatais. Consequentemente, cabe a ele, por meio de seus prepostos, ditar as regras de controle. Quem não gostar que defenda a privatização. Infelizmente O BB está dominando o mercado publicitário de péssimo gosto. Sempre com campanhas de mau gosto, agressivas e não conquista ninguém. Como nas demais instituições financeiras, o funcionário que não corra atrás pra ver …

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