O perigo do “já ganhou” da Covid e o exemplo da Índia

Percebe-se um clima de “o pior já passou” em relação à pandemia e, em alguns casos, até mesmo um “já ganhou” que induz a crer que a tendência, agora, com a vacinação – embora lenta e falha – , a Covid é algo que, necessariamente, vai minguar e desaparecer.

Ainda mais agora, com a explosão da doença na Índia, cria-se uma tendência de achar que a doença é “lá do outro lado do mundo”.

Per capita, porém, todos os indicadores apavorantes que se registram na Índia são menores que os nossos: 284 casos por milhão de habitantes, contra 358 casos por milhão dos indianos. Idem nas mortes: 12 por milhão aqui, pouco mais de duas por milhão naquele país.

A BBC, hoje, ouve cientistas que alertam para o fato de que “relaxar medidas (restritivas) aumenta risco de terceira onda mais letal“.

Sob o patrocínio presidencial, estimula-se o fim do uso de máscaras, cuja ausência já se observa nas ruas reabertas à toda na esperança de um lucrativo “Dia das Mães”.

Estamos fechando o mês mais letal da pandemia, com mais de 82 mil mortes e já começamos a tratá-la como coisa do passado.

A vontade de deixar este tempo para trás é igual em qualquer um, e grande. Mas estamos correndo o risco de empurrá-lo para a frente.

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