O protocolo

A entrevista de agora há pouco, onde o governador João Dória disse que “é uma circunstância inaceitável que a melhor polícia do Brasil utilize de violência ou de força desproporcional, sobretudo quando não não há nenhuma reação de agressão” e na qual se disse “chocado” com os atos de violência registrados em diversos vídeos de ações de PMs sobre moradores de comunidades pobres tem mais do que a hipocrisia com que governantes se expressam nestas ocasiões.

Tem mais também do que ser a primeira volta, a assombrá-los, dos mortos de Paraisópolis e os de todos os outros lugares de onde, vivos, nunca importaram a quem estava no governo.

A questão essencial é outra, a de que isso só acontece porque as circunstâncias do caso tornaram cruamente exposta a fragilidade do discurso que a maioria deles, Doria incluído, aceita e usa para “vestir” o tratamento brutal que o estado dá aos pobres com a fantasia de que isso é “lei”, “ordem”, “segurança”, que não têm outra maneira de serem alcançadas senão pela força bruta.

E, a justificar tudo isso, a droga e a criminalidade para qual empurram geração após gerações de sem-escola, sem-emprego e sem-futuro.

Este é o “protocolo” que, faz tempo, se adotou por aqui e ai de quem quiser mudar isso (e nem de longe Doria quer).

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