Pátria atiradora

Pronto, o governo já definiu um dos pontos essenciais de sua política econômica e, como há dinheiro sobrando, liberou de impostos a importação de revólveres e pistolas.

Com isso, o povo está livre para importar uma Glock ou uma Sig Sauer ou, quem sabem um modelo mais modesto, que se pode comprar por pouco mais de 300 dólares, nos EUA, o modelo de “Pátria Atiradora” tão caro a Jair Bolsonaro.

É claro que nós, da oposição, como chatos que somos, vamos torcer o nariz: como é que um país que está em crise fiscal, que quer cortar isenções fiscais até da cesta básica pode liberar de impostos a importação de máquinas de matar?

É que nós somos anacrônicos, ainda achamos que comer, vestir, educar os filhos e netos e outras bobagens são fatores de progresso e desenvolvimento, esquecendo que a morte é a principal ferramenta de ajuste fiscal, não é?

Vejam como este caso da pandemia é prova disso: até o final do ano, teremos perto de 200 mil mortes. Considerando que 80% delas é de gente idosa, provavelmente aposentada, basta calcular a economia que se faz com as suas “fraquejadas” fatais: 180 mil, multiplicados por um salário mínimo – mil reais – dá R$ 180 milhões por mês e, com o 13°, R$ 2,34 bilhões por ano… Bilhões!

Com um pouquinho mais de baleados, um tanto mais de portadores do vírus da AIDS, que ficaram sem exame de HIV, umas vítimas de estradas sem pardais e alguns outros mortos de fome, de frio, e mais outras coisas que se providencie, veja só que economia fantástica se poderia produzir.

Além, é claro, de aliviar os serviços públicos e liberar mais habitação para os que, por enquanto, continuam vivos: a cova é habitação definitiva, com apenas 2 metros quadrados, espaçosa e mais confortável do que a que estavam no mundo.

E ainda tem a segurança pública: para que pagar policiais, viaturas, coletes a prova de bala, se dois ou três tiozinhos, de revólver na mão, teriam dado jeito naquela exército de Criciúma, de fuzis e bazucas?

Basta não ser maricas porque, afinal, todo mundo vai morrer um dia, talquei?

 

 

 

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