PSB brinca de ‘bater pé’. Bolsonaro, de ‘bater coturno’

Segue o impasse provocado pelo inacreditável egoísmo político do PSB e de Alessandro Molon (pois é claro que o segundo não “bate pé” sem a concordância ou, ao menos, a tolerância política do primeiro), como se estivessem exigindo uma humilhação pública do PT – como já aconteceu em Pernambuco e em outros estados – para manterem uma frente única que, afinal, é a única resposta digna que se pode ter às ameaças que rondam o nosso país.

Não é o caso de argumentar sobre as qualidades de Molon ou de questionamentos sobre André Ceciliano, o candidato petista cuja degola o presidente do PSB fluminense exige. Qualidades, mais as têm gente como Guilherme Boulos, Randolfe Rodrigues, Fabiano Contarato e, até mesmo, Geraldo Alckmin, em outro campo político.

O que está em questão é o empenho em fazer uma unidade pública de forças anti-Bolsonaro, diante da qual todo apetite pessoal é insignificante e deve ceder lugar ao que for maior.

Convenhamos, aliás, até este surpreendente André Janones teve a grande de perceber que sair do nada para aparecer em quarto lugar nas pesquisas presidenciais, o que é muito, bem pouco é diante dos desafios presentes.

Molon, é claro, tem o direito pessoal de ambicionar ser senador. Mas não tem o direito político de isentar-se da responsabilidade coletiva perante o país, porque esta não é uma questão restrita ao Rio de Janeiro ou a mais uma ou menos uma cadeira no Senado.

A disputa política interna e até os “cabos de guerra” são normais e inevitáveis na política, como aconteceu com Márcio França, em São Paulo. Quando foi impossível resolver estas questões, como em Pernambuco, o PT não hesitou em cortar na própria carne, como em Pernambuco, onde Marília Arraes, embora líder nas pesquisas, teve de escolher seu candidata praticamente “avulsa”, diante dos compromissos – exagerados, não se discute – com o grupo que controla o PSB, ali e nacionalmente.

Não creio que Lula vá abrir mão do apoio a Freixo e “liberar o voto” dos petistas para o governo estadual. Eleitoralmente, isso não existe e, embora abrisse mais espaço para integrar Eduardo Paes e Rodrigo Neves, candidato do PDT, a sua campanha, a abrir mão de uma posição afirmativa no Rio de Janeiro, ainda que a candidatura Freixo tenha notórias dificuldades nas áreas populares.

Em lugar de estarmos ocupados em “bater pé”, deveríamos nos preocupar com o presidente que segue “batendo coturno” e que não ser acanhou hoje de dizer que está “”buscando impor, via Forças Armadas” alterações no processo eleitoral.

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