Quem disse que o ex-sem-terra não produz?

Embora escrita com um mal disfarçado preconceito – chega a dizer que o MST tem “hostes”, que tem o significado de exército “inimigo” – a reportagem de hoje no Valor Econômico mostra uma imagem do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra muito diferente que a construída pela mídia, a de gente que invade para destruir e tornar terras improdutivas.

Mostra o resultado de anos de luta que não se encerraram com o assentamento de famílias que, afinal, conseguiram um pedaço de terra para trabalhar e produzir e, agora, estão integrados a cooperativas e associações que plantam, colhem e processam alimentos em grande escala.

Cooperativas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra produzem pelo país toneladas de grãos, além de frutas e hortaliças, leite e suco de uva, entre outros itens. Famílias assentadas são sócias de marcas próprias, têm gestão profissionalizada e vendem para governos e grandes redes varejistas, no país e no exterior.
O MST diz não ter um levantamento sobre o faturamento total das 162 cooperativas com as quais mantêm ligações. Mas informa que quatro das mais bem estruturadas desse grupo registraram entre janeiro e outubro deste ano receita conjunta de quase R$ 300 milhões.

São as que estão registrada na imagem ao fim do post, tirada do jornal.

Nenhuma novidade, exceto que alguém, finalmente, digna-se a registrar que reforma agrária não é um desastre produtivo. Eu mesmo vi, pessoalmente, o progresso e a prosperidade do Banhado do Colégio, o local no município gaúcho de Camaquã, Brizola principiou o seu ensaio de reforma agrária no Rio Grande. Gente vivendo bem, com lavoura de primeira ordem, filhos e netos criados com dignidade.

A reportagem, com certo tom demeritório, refere-se a uma “mudança de estratégia” do MST, dando este ano prioridade à consolidação produtiva de seus acampamentos e ocupações, para evitar a possível repressão por parte do governo Bolsonaro. Queriam o quê de um governo que está tão ansioso para atacar os pobres do campo que quer mudar a lei para poder atuar contra eles com as Forças Armadas e a Polícia Federal, inclusive com os “excludentes de ilicitude” para quem matar na repressão?

 

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email

15 respostas

  1. O MST é um orgulho do Brasil. Deveria ser aplaudido por todos, pois se trata de um movimento social organizado pela base e que atua pela educação coletiva e auto determinação de seus integrantes. Há, de fato, dezenas de cooperativas produzindo da melhor forma – com tecnologia e sem abusar de agrotóxicos – alimentos para colocar na mesa do povo brasileiro (e até para exportação). Eu sou um admirador do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Sem Terra. Só quem não conhece a história do MST e prefere repetir bobagens anda por aí proclamando por repetição as idiotices dos latifundiários.

    1. Por isso ele assusta tanto… alguns. A mediocridade dominante não sobreviveria a uma ‘epidemia’ de conscientização. Né não?

  2. Faço questao de ser exercito inimigo de milicia.
    Entretanto as pessoas continuarao a ter odio do mst.
    Basta fazer teste mais simples
    Ver algum produto de cooperativa do mst no suermercado e elogiar… Melhor contrapropaganda nao hs

  3. Os assentamentos estão assimilados por suas vizinhanças, que aprendem com eles e que a eles ensinam também. Um novo marco rural dinamizado com incipiente, porém decisivo planejamento foi estabelecido em muitos lugares, substituindo a secular estrutura improdutiva na qual as pessoas mal sobreviviam. O ambiente rural do país melhorou muito com o MST e outros movimentos semelhantes. Evidentemente que não se está a falar dos grandes espaços destinados ao agronegócio pesado.

  4. Os assentamentos estão assimilados por suas vizinhanças, que aprendem com eles e que a eles ensinam também. Um novo marco rural dinamizado com incipiente, porém decisivo planejamento foi estabelecido em muitos lugares, substituindo a secular estrutura improdutiva na qual as pessoas mal sobreviviam. O ambiente rural do país melhorou muito com o MST e outros movimentos semelhantes. Evidentemente que não se está a falar dos grandes espaços destinados ao agronegócio pesado.

  5. Décadas de luta, com mortos e feridos pelo caminho. O MST é admirado no mundo, criminalizado aqui. Mas é o movimento, junto com outros 90 movimentos por terra que há no Brasil, segundo levantamento de professora da USP, que põe a comida na nossa mesa e põe arroz orgânico na merenda de crianças de escolas municipais de prefeituras que compram do MST. Eu fui redatora de dois folders da semana de agroecologia do SESC e nessas ocasiões aprendi mais sobre o MST. Aliás, várias unidades do Sesc têm feiras semanais de produtos agroecológicos https://www.sescsp.org.br/online/artigo/13679_GUIA+DE+FEIRAS+ORGANICAS+E+AGROECOLOGICAS+DO+SESC

      1. Eu já tive vontade de ir, qualquer hora vou sim, tenho vontade de conhecer. Gostaria também de aprender o método de alfabetização que junta o Si Yo Puedo (cubano) + Paulo Freire, diz que funciona muito bem, uma equipe alfabetizadora do MST foi contratada pelo Flavio Dino do Maranhão para alfabetizar pessoas de municípios com baixo IDH, acho que isso foi há uns 2 anos, achei admirável

  6. Em 1789 a revolução francesa cortou a cabeça da família real, dos nobres e do clero (que delícia), donos das terras numa economia ainda essencialmente agrícola, e promoveu a 1ª reforma agrária dividindo a terra e entregando-a aos camponeses que nela trabalhavam e que junto com os burgueses, haviam feito a revolução. Hoje a agricultura francesa não tem latifúndios, mas minifúndios em grande parte familiar e totalmente ligados a cooperativas e é a agricultura mais importante da europa ocidental. O Brexit (putz, que surfada na maionese!) mostrou que quase 80% dos laticínios, produtos alimentícios de 1ª necessidade como leite, queijos e manteiga, vinham da europa e principalmente da França. A França vai lucrar muito com os preços das exportações de uma gama muito extensa de produtos para o Reino Unido, agora sem as amarras do controle pela comunidade europeia. Eles vão explorar a fome no Reino Unido até os ossos!
    Ah, e a França ainda é a 2ª maior economia da europa e altamente industrializada.
    Quando será que nós vamos aprender?

  7. Engels dizia que o homem só se liberta quando toma consciência de sua realidade e talvez esteja neste aspecto do seu trabalho a maior grandeza do MST e o porque do ódio de classe a ele devotado por nossa burguesia, sobretudo o latifúndio. Celso Furtado dizia que o MST é o maior social do Brasil depois do abolicionismo. A propósito, quem mora em SP deveria conhecer a Escola Florestan Fernandes. É daquelas coisas que dão um orgulho danado na gente

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.