Se não tem vacina, não tem seringa. Faz sentido, não?

Não podia dar certo.

No dia 8 de dezembro, a inglesa Margaret Keenan foi a primeira pessoa a receber a vacina contra o novo coronavírus em uma campanha pública de imunização, mas só oito dias depois, quando o mundo já estava mergulhado numa louca corrida por vacinas e, claro, pelas seringas e agulhas com que são ministradas, o Ministério da Saúde resolveu lançar um edital para a compra de seringas, cujo o pregão frustrante realizou-se hoje.

Não há tempo hábil para uma nova licitação, o que significa que boa parte delas terá de ser comprada emergencialmente, com dispensa de licitação, certamente a preços maiores que os praticados normalmente pelos fabricantes.

Certamente não é o problema mais grave, mas é mais um problema num plano de vacinação que não sabe quando começará, quantas vacinas terá para aplicar e nem mesmo qual serão elas.

Mas, se não estivessem acesos há tempos, acenderia todos os sinais quanto à capacidade do Ministério da Saúde de coordenar um processo complexo, que terá de atingir pelo menos 80% da população brasileira.

Afirmou-se hoje que a vacinação, com sorte, poderia se iniciar no final de janeiro, um mês depois da de 50 países que já vacinam hoje

Daqui a um mês, serão 100 ou mais.

Todos eles, nossos competidores na aquisição de doses e, certamente, de seringas que as apliquem.

Muito mais ágeis, porque em poucas horas começaram a aplicar a vacina após sua aprovação pelos órgãos sanitários nacionais.

Claro, por lá o objetivo é vacinar.

Aqui, não é.

Se não tem pressa da vacina, porque se teria pressa das seringas?

Acredite quem quiser na intenção de quem não tem pressa em ter vacinas em ter pressa em fazer com que haja logo produção, compra e disponibilização de seringas?

Portanto, fiquem tranquilos: o que faltará não é seringa, é vacina.

Ah, sim, e um governo no país.

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