Suplente do ’01” revela que PF já era de Bolsonaro em 2018

Manchete da Folha de hoje, a proximidade entre a Polícia Federal e a família Bolsonaro não surpreende, embora tenha a força de uma confissão de quem, direta e pessoalmente, tomou conhecimento da montagem de uma farsa que impediu o povo brasileiro e ir às urnas sabendo a verdade – ou o que já se conhecia dela – sobre o episódio da “rachadinha” do gabinete de Flávio Bolsonaro e a orientação direta de seu pai para o encobrimento do caso.

A entrevista de Paulo Marinho, suplente de Flávio no Senado é isto: a denúncia de um crime, diante do qual o Ministério Público, se ainda existir, terá de pedir a imediata instauração de inquérito.

Pois o fato de que, entre os dois turnos das eleições a Polícia Federal, através de um delegado que procurou o coronel-aviador da reserva da FAB Miguel Ângelo Braga Grillo, chefe de gabinete do “Filho o1” e o advogado deste, Victor Alves para avisar que havia sido descoberto o esquema de dinheiro operado por Fabrício Queiroz mas os responsáveis pela inquérito tinham decidido que iriam “segurar essa operação para não detoná-la agora, durante o segundo turno, porque isso pode atrapalhar o resultado da eleição [presidencial]”.

Mais: deu orientações para que “limpassem a área”, demitindo Queiroz e sua filha Nathália, o que foi feito a seguir pelo filho e pelo pai, de quem eram, pai e filha, funcionários de confiança.

É claríssima a obstrução de investigações com finalidades político-eleitorais, mas isso não é tudo.

É sinal de que as estruturas da PF já serviam a Jair Bolsonaro mesmo antes da eleição e que, afinal, bastaria – ou bastou – que o ex-capitão mantivesse a sua influência sobre os inquéritos, como ocorreu naquele caso agora confessado por Paulo Marinho.

Como a ele serviam, também, o então juiz Sérgio Moro – lembram da súbita divulgação pré eleitoral das confissões sem provas de Antonio Palocci? – e todos os que participaram da manobra judicial-policial – que rendeu a Maurício Valeixo a chefia da PF – para manter Lula encarcerado mesmo depois de um desembargador federal ter-lhe dado liberdade provisória.

Vamos ver, agora, se a notícia-crime que Mônica Bergamo traz na entrevista de Paulo Marinho vai ser tratada como o que é e se disso se revela o quão grande e profunda já era a infiltração da milícia bolsonarista dentro da Polícia Federal.

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