Um general sem continência

Está em qualquer manual: uma força militar baseia-se, como organização, em dois pilares: a hierarquia e a disciplina, nesta ordem.

Daí é que um conflito previsível da estranha chapa formada por um ex-capitão como candidato a Presidente e um general como vice, que já começava  “torta” por essa inversão dificilmente harmônica, antecipou-se com o infeliz episódio que levou Jair Bolsonaro a “baixar enfermaria”.

O pedido – mais um gesto político que algo de significado prático – para que o General Hamilton Mourão participasse de entrevistas e de debates no lugar de seu “superior”, hospitalizado, começou a expor os impasses de uma organização que, sequer dispondo da mínima organicidade de um partido, já não tinha hierarquia e passou a não ter, por falta de chefe, disciplina.

Agora, com as declarações de Mourão de que defende uma nova “Constituição sem voto”, escrita por uma “comissão de notáveis” – imagina-se que o histriônico Levy Fidélix possa ser um notável – escancarou o grau em que  o aventureirismo improvisado que este amontoado bolsonarista ameaça lançar o país.

Estabeleceram-se conflitos entre o “esquadrão familiar”, a “ala policial” e os franco-atiradores do oportunismo, todos disputando a colina de um quarto de hospital, até mesmo alheia aos riscos de saúde que o “Zero-Um” corre por isso.

E o “Zero-Um”, em estado delicado de saúde e por impedido de usar seu peso eleitoral como contrapeso às ambições miúdas de “sucedê-lo em vida”, é assediado por todos os lados, quase indefeso.

A esta altura, a camada de oficiais superiores das Forças Armadas (e não só do Exército) está vendo a encrenca em que se envolveu, deixando que a candidatura Bolsonaro colocasse a instituição militar não só de ponta-cabeça – ele tem muito mais acolhida na baixa oficialidade e na tropa do que entre as camadas de comando – como novamente associada a um pensamento autoritário, conservador e obscurantista perante a sociedade.

Mas estão cercados, sitiados e em menor número diante do delírio de poder que Jair Bolsonaro injetou em suas corporações e, como mostrou a entrevista do general Villas Boas, cedendo a atitudes que, perdido o comando, ainda lhes possa preservar algo da hierarquia e, sobretudo, da disciplina.

A incontinência do General Mourão é bem o retrato da bagunça que Bolsonaro fez na tropa.

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24 respostas

  1. O capitão é só jóquei do cavalo xucro do Golpe, na verdade, nem deveria ter entrado no páreo. Está ali graças a uma mistura de desatenção e excesso de confiança dos golpistas em relação a seus puro sangues e de seus jóqueis prediletos. Se eu fosse o capitão, mesmo comendo poeira, procuraria correr do lado oposto aos quatro cavaleiros do apocalipse.

    1. Boa análise! Bolsonaro não é o candidato oficial da turma da bufunfa…e o candidato predileto está na rabeira da intenção de votos. Não é a toa que a bolsa caiu e o dólar subiu. A candidatura b

  2. A facada com danos mais letais em Bolsonaro não foi a de Juiz de Fora, mas a que vem sendo dada cotidianamente num quarto do hospital onde ele se encontra em recuperação.

    Grupos diversos, como seu núcleo familiar, o policial e o militar disputam de forma sorrateira, mas vigorosa, o legado de violência e antidemocrático que vitimou o próprio !”capitão do Ustra”.

    Mourão, seu vice, um general que odeia a democracia, quer recompor a hierarquia na tropa de brutamontes e propõe abertamente o “cada quepe em seu cabide, o meu no andar superior”.

    Zorra mais que previsível quando se coloca um general para engraxar o coturno do capitão.

    A Ordem Unida, desuniu.

  3. Vamos lá.

    1º ponto) – O general Eduardo Villas Bôas, cujo mandato terminou no último dia 31 de março, já deveria ter deixado o formal comando do exército. O comando efetivo ele já não tem há pelo menos 3 anos (arrisco dizer que desde 2013, quando o golpe lançou suas sementes em terreno fértil, com as chamadas “jornadas de junho” ele já não comande, de fato, as tropas). Com uma doença degenerativa e numa cadeira de rodas, ele é usado como porta-voz dos gorilas do generalato e daqueles que compõem a junta militar que governa o Brasil pós-golpe.

    2º ponto) – Esclareçam-se os leitores de que os militares são não apenas lenientes com o governo golpista e quadrilheiro de Michel Temer. Quem manda de fato, desde o golpe de maio-agosto/2016, não Temer é sua quadrilha, mas o general que fica na sombra do recriado SNI (sob a pomposa e tucana sigla GSI). Aquele recado, aquela intimidação mandada pelos golpistas de coturno por meio do general Eduardo Villa Bôas, no dia 5 de abril, é apenas a prova mais ostensiva e pública de que generalato sempre esteve por trás do golpe, mas cujos atores colocados no proscênio, sob luzes e holofotes, foram os do sistema judiciário cooptado/coorrompido/comprado pelo Deep State estadunidense (PF, MP e PJ).

    3º ponto) – A então Presidenta Dilma Rousseff não tinha o apoio ou lealdade das FFAA. Se os tivesse, jamais seria deposta por um parlamento formado em sua maioria por delinqüentes.

    4º ponto) – Há indícios fortíssimos de que ovos de serpentes foram colocados em lenta incubação na máquina partidária do PT, desde meados da década de 1990, quando o Deep State estadunidense constatou que, mais cedo ou mais tarde o PT, através de seu maior líder, Lula, chegaria à presidência da república. Os infiltrados são hoje bem conhecidos e compõem o que o jurista Luiz Moreira denominou “PT jurídico-judicial”; essa ala quinta-coluna, que se empoderou nos governos de Dilma Rousseff, preparou o ‘arcabouço legal’ para que as lideranças sindicais, sociais, de base, tivessem suas cabeças cortadas; José Dirceu, José Genoíno, João Vaccari, João Paulo cunha e Luiz Gushiken são alguns exemplos dos que foram ceifados pelas ‘leis’ elaboradas pelos quinta-coluna; o ponto culminante disso é o descarte do maior líder e fundador do PT, o Ex-Presidente Lula, preso político há quase 6 meses numa solitária curitibana, de onde provavelmente não sairá vivo.

    5º ponto) – É fato público que entre a alta oficialidade e o generalato Jair Bolsonaro nunca teve prestígio. Em livro está registrado depoimento de Ernesto Geisel, em que o ex-general ditador afirma “Bolsonaro, inclusive, é um mau militar”. Se Geisel chegou dizer isso e autorizou que fosse publicado , podemos deduzir que Jair Bolsonaro foi “convidado” a deixar o exército. Isso quer dizer que foi feito um acordo para que ele deixasse a FFAA; por esse acordo ele recebeu a patente de “capitão” – que ele não detinha enquanto na ativa – e foi “inocentado” pelo STM. Bolsonaro chegou a receber como punição a detenção por 15 dias, em quartéis do exército. Essa punição decorreu das insubordinações, colocação de bombas em quartéis, além de planejamento de atentado terrorista, para romper com uso de explosivos a adutora da CEDAE, que abastece o Rio de Janeiro. Isso está documentado e chegou a ser publicado na imprensa.

    6º ponto) – Na política há 28 anos, exercendo mandatos parlamentares, Jair Bolsonaro se criou com o discurso policialesco, da violência, do ódio nazifascista, da criminalização das pautas progressistas e de esquerda, sobretudo as identitárias. Com discurso histriônico e nazifascistóide, Jair Bolsonaro consolidou seu feudo político entre os militares de mais baixo estrato intelectual e suas famílias. Esperto, ele garantiu, para si e seus filhos, sucessivos mandatos parlamentares defendendo o interesse corporativo dos militares e ex-militares, cheios de regalias e mamatas, como pensão vitalícia para filhas que não se casam em cartório.

    7º ponto)- Na terra arrasada em que se transformou o Brasil pós-golpe e com a ascensão do nazifascismo, que saiu do armário e despiu-se das máscaras, Jair Bolsonaro conseguiu arregimentar grande nº de seguidores (entre 15 e 20% do eleitorado). Ao perceberem Bolsonaro como o “cavalo” por meio do qual os militares poderiam chegar ao poder, usando para legitimar essa tomada dos poderes políticos uma eleição farsesca e fraudulenta (que os militares controlam por meio do TSE e da qual, por meio de ultimato ao judiciário, alijou o Ex-Presidente Lula), o generalato resolveu ‘enquadrar’ Bolsonaro, impondo-lhe um vice. Não se deixem enganar por aquele teatro com Magno Malta e Janaína Paschoal; aquilo foi apenas despiste. Os generais Sérgio Etchegoyen, Augusto Heleno e Hamilton Mourão estavam arquitetando e comandando o processo de ‘escolha do vice’.

    8º ponto) – Os blogs e todos os PIGs brasileiros – por conveniência ou ameaçados e chantageados – ainda estão reproduzindo a versão oficial do “esfakeamento”; mas em tempos de internet, essa farsa/fraude já foi fragorosamente desmascarada. A verdade é que os generais ‘tiraram Bolsonaro de circulação’; eles esperavam não só consolidar os votos no ex-capitão nazifascista, mas provocar “comoção” e evitar ataques que desconstruiriam o candidato oficial deles; além disso, eles usaram o episódio para questionar a legitimidade de um eleito que não seja Bolsonaro ou seu “substituto” (isso se o batismo e fraude nas urnas eletrônicas não garantirem a vitória).

    9º ponto) – Com a sutileza de um elefante em loja de louças, o general Hamilton Mourão já vinha mandando ‘recados’, ao falar das “aproximações sucessivas”, por meio das quais os militares estavam tomando, por completo, os poderes do País, inclusive os políticos e o judiciário. Na última entrevista ele disse que uma Nova Constituição não precisa ser votada por parlamentares eleitos para uma ANC, mas sim elaborada por um “Conselho de Notáveis”. Ontem um general da reserva, que foi chefe do estado Maior, foi nomeado por Dias Toffoli para ‘vigiar’ e ‘enquadrar’ ministros do STF que se mostrem recalcitrantes. No Ministério da Defesa está outro general. A cereja do bolo é a intervenção militara na segurança pública do RJ, também comandada por um general.

    Há menos de 2 meses a publicação de um documento da CIA, provando que os generais Ernesto Geisel e João Figueiredo autorizaram torturas e assassinatos de presos políticos, foi colocado um freio nas “cadelas do fascismo”, sobretudo naquelas aninhadas nas FFAA. Mas diante do fracasso eleitoral da direita menos troglodita (Geraldo Alckmin e similares) é provável que o Deep State tenha autorizado os vira-latas e entreguistas das FFAA tupiniquins a fazer o jogo bruto que estão acostumados.

  4. Quando um capitão escolheu um general pra ser subalterno eu comentei entre amigos: Isso vai dar merda! Ainda bem que nem serão eleitos…

  5. Ah, os militares e seus incorrigíveis apreços pela pseudo-aristocracia.

    Afinal, foram alguns “notáveis” que escreveram o AI-5. Assim eles puderam agir dentro da “lei”.

    1. Os estamentos armados e seus arroubos de superioridade são extravagâncias de um país que não cansa de repetir a pior parte de sua história.

      1. Para eles o povo, os cidadãos, não passam de meros “energúmenos bucha de canhão”. Eles é que são os notáveis, a elite, o monopólio da moral e inteligência.

        1. O pior é, em momentos como este, quando são expostos… Quando temos acesso a mente desses senhores, são boçais, levianos, com valores pervertidos em seus sentidos, até doentios. A mais pura expressão “simbólica / arquetípica” do mal em si. Arrepia pensar “o que” está no controle dos pensamentos dos milhões que estão se identificando com isso… Quais instintos tiveram de ser despertos?

  6. Canalhas e seus tolos amestrados…
    bravos permanecem ao lado dos justos. aos canalhas restam os covardes.
    Lula inocente, Lula presidente.

    vai dar 13 de ponta a ponta.

    ;¬)

  7. Uma divisão e até mesmo um “conflito” nas forças armadas é o que falta para o Brasil se dividir como nação.

  8. U q que há de verdade atrás do internamento do Bolsonaro numa UTI? U q há por trás de tudo isto?? Sabemos pelo que a mídia propaga que foi um simples cutucão com uma faca, e isto nunca seria motivo para levar uma pessoa saudável ( ou quase) baixar numa UTI!!! Porque tanta mentira?? Cadê os boletins médicos??
    Que ele talvez ficasse um dia ou dois em observação, tudo bem, mas, baixar numa UTI.
    Este tipo de coisa compromete até a equipe médica do Hospital pra onde foi levado.
    Este Bolsom..,quase todos sabemos não passa de uma titica de galinha preta, mas, pelo que se sabe , ele “nun” tá tomando querosene e nem rasgando dinheiro (ainda)

  9. Brito “Me poupe” Este General de pijama tá só fazendo terrorismo pra ver se consegue mais alguns milicos da ativa pra lhe fazer companhia nesta sua canoa furada.
    Pelo que se observa : ele não tem comando nenhum e mesmo que se tivesse os militares não estão interessados em aventura nenhuma. Procure se informar. Terrorismo barato. Este General de pijama vai acabar sendo detido e conduzindo a uma Unidade do exercito e pegará uns meses de prisão ou mais!!

    1. Ah, se fosse verdade. Não podemos dar sopa para o azar. Os militares sempre deram guarida a este golpe em curso; ficaram na retaguarda esperando que as ORCRIMs judiciárias, midiáticas e da direita oligárquica, plutocrata, escravocrata, cleptocrata, privatista e entreguista dessem conta de matar polìticamente ou proscrever o Ex-Presidente Lula, o PT e a Esquerda. Ante o impasse, tais quais cadelas do fascismo, sempre no cio, colocam as “garras e dentes” à mostra. Mais grave que o atual ocupante da presidência da república (cujos crimes públicos não preciso descrever aqui) é quem poderia pedir a prisão desses militares que se metem na política, esse sujeito, na verdade, é apenas um fantoche dos militares, que já mandam nesse desgoverno, desde meados de 2016.

      1. Você deve ser viúva do Ciro. Fica ai com medo de rastro de onça, meu caro. Vem aqui pra Minas, quem sabe você se tornará mais corajoso

        1. Sou mineiro, cara. Não tenho medo de ameça virtual. Se você´é ou foi militar, lei a CF, para saber o papel das FFAA.

          Se não tem argumentos, não tente intimidar os outros com ameaças veladas ou explícitas.

  10. Resta saber quem psicografara a parte da constituiçaõ de responsabiliade do torturador Ustra,herói do mito e general e possivelmente um dos notáveis

  11. Se for assim, vou voar à África do Sul, onde teve Mandela, Gandhi, Stive Biko e outros que batalhar pela liberdade.
    Se o merda do boçalnaro um dia vai morrer, vou soltar foguetes!!!

    1. Nei!! Descobri as origens das opiniões do BOLSONARO sobre as MULHERES. Ele nasceu de uma MULA SEM CABEÇA, e casou com UMA ANTA. Isto define bem suas posições a respeito. Logo, os votos da área feminina para um TRASTE deste naipe, só podem se enquadrar em uma destas opções, ou naquela que ele disse destinar seu auxilio recebido do CONGRESSO.

  12. A rebotalha já perceberam que são Generais sem comando.
    Deu ruim pra turma de Milicos.
    Se tivéssemos um presidente com moral, esta turma que ficam fazendo terrorismo por ai, já estariam recolhidos a uma Unidade do exercito.. Casa de viúva todo mundo quer meter o bedelho.

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