Vai-se errar com a Índia como se errou com a China?

Em fevereiro do ano passado, quando a Covid-19 – que nem tinha este nome, à época – espalhou-se pela China. A notícias tinham destaque, a imagens era chocantes mas isso era lá “do outro lado do mundo”. Nada tinha a ver conosco, pensava a maioria.

Dá um sombrio arrepio ao ver a semelhança do que ocorre agora com a catástrofe indiana – imensamente maior que a chinesa e a indiferença com que o mundo a trata, como fosse algo que se passasse “lá na favela” e que não fosse, por isso, uma ameaça ao “mundo do asfalto”.

Achou-se por lá que a pandemia “estava no finzinho”.

Um mês atrás, no final de março, os indianos registravam uma média móvel de casos comparável aos nossos “melhores tempos”, se é possível chamar assim a fase menos mortal da pandemia. O número médio de casos diários andava por 40 mil e o de mortes em 260, muito mais baixos que o melhor que já tivemos, considerando que a população é mais de seis vezes à brasileira e quase igual à da China.

30 dias depois, estão em inacreditáveis 330 mil casos (o pico já está em 360 mil) e perto das três mil mortes diárias, e em crescimento veloz.

É bom levar em conta, quando já tem gente achando que a pequena queda de casos e mortes pela Covid que temos por aqui mostra que está “resolvido” o problema da pandemia.

Não se invoque também o isolamento do país: a diáspora indiana, nos Estados Unidos e na Europa, é das maiores e a Índia tem fronteiras – além das físicas, econômicas – com toda a Ásia.

Não há isolamento humano onde há globalização econômica e, no caso da Índia, de uma forma mais importante: o país é o maior exportador mundial de fármacos e o principal fornecedor do do consórcio Covax Facility, da OMS, de onde esperamos ainda 40 dos 42 milhões de doses que foram contratadas.

Lá, como cá, o governo estimulou o “abre tudo e vai para rua”. Seria bom botarmos de molho tanta barba quanto tem o bolsonaro hinhu Narenda Modi.

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