Vingança de Bolsonaro não muda preço, mas diminui a Petrobras

Até a imprensa – que há anos usa Adriano Pires como “especialista” de plantão para atacar a Petrobras e defender a entrega do pré-sal às multinacionais – percebeu a incoerência de nomear para a Petrobras alguém que não só defende a vinculação total do preço dos combustíveis ao mercado internacional como, num raciocínio primário, de “dono de botequim”, vibra com a elevação dos valores do barril de petróleo.

É dele, e recentíssima, a declaração:

“A gente deveria torcer para o petróleo ir a US$ 200 porque o petróleo passou a ser uma grande fonte de arrecadação para o Brasil”.

E ainda:

“Minha preocupação não é a gasolina a R$ 12 o litro, minha preocupação hoje é o desabastecimento. É o risco de se praticar um preço dentro do Brasil muito diferente daquele praticado lá fora”.

Além do raciocínio ser primário, inadmissível para quem estudou Economia, porque despreza os efeitos recessivos e inflacionários de tal loucura, evidencia o desprezo que tem pelo brasileiro comum, que paga a conta dos “R$ 12 o litro” – tão caro para o Chevette “caidinho” quanto para o Porsche reluzente – no preço que ele precisa comprar para sobreviver.

Este tal Pires, que andou perto de Aécio Neves, vociferando contra as políticas de preços controlados dos combustíveis nos governo petista já andou, logo após as eleições, rondando a porteira do governo Bolsonaro, oferecendo-se para Ministro das Minas e Energia, logo após a vitória do “Mito” em 2018.

Já em 2013, este Tijolaço mostrou como a Agência Nacional de Petróleo, tendo Adriano Pires entre os dirigentes, em 1999, leiloou por preços ridículos a área onde fica hoje o megacampo de Libra, no pré-sal que, felizmente, terminou sendo devolvido por “não ter petróleo”.

É um pavão, gosta de dar declarações mau-humoradas e acenar com quadros caóticos para justificar suas propostas. É o caso desta história do “desabastecimento”, uma história para boi dormir, porque a própria Petrobras poderia importar a parcela sem custo de intermediação, embora seja mais difícil fazê-lo depois da criminosa venda da sua distribuidoras, a BR.

Adriano Pires, claro, quer empurrar para o Tesouro, pela via dos subsídios, todo o custo da crise de preços elevados. Funciona assim: a Petrobras – e as distribuidoras privadas – recebem o preço cheio e, na venda, desconta-se um X que será pago com dinheiro público, porque é isso o que é a parte do Governo nos dividendos da empresa. Os dividendos dos acionistas privados – cerca de 60% do total continuam saindo, livres, leves e gordos para as mãos privadas.

De gente, aliás, que acha ótimo o petróleo a US$ 200 e nem liga para gasolina a R$12 o litro.

Pires não muda a política de preços e vai comandar a Petrobras por uma vingança pessoal de Bolsonaro contra o general Luna e Silva, outro bode expiatório do fracasso das políticas de governo.

 

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