Quando o medo vence a esperança

Os novos dados da pesquisa Datafolha, agora sobre as perspectivas econômicas do país e o desemprego podem ser traduzidos numa expressão simples: reversão das expectativas que sempre acompanham uma mudança de governo por eleição. Afinal, a escolha foi feita pela população.

Quase metade (47%) dos brasileiros acredita que o desemprego vai aumentar, enquanto 29% tinham essa opinião antes da posse de Bolsonaro. Entre os que creem em melhora, o movimento foi inverso: de 47% para 29%.

Considere-se que, com desemprego nas alturas, também a opção “vai ficar como está”, resposta de outros 21%, também significa pessimismo.

Cantou-se, repetidamente, como um bordão emburrecedor, que as “reformas” neoliberais nos salvariam da recessão e, sucessivamente, o “teto orçamentário”, a cassação de direitos trabalhistas e, agora, a mutilação da Previdência não conseguiram produzir senão a estabilidade no caos que, neste momento, começa a se inclinar para novo escorregão para baixo.

O sentimento revelado pela pesquisa está em linha com os fatos da economia real, embora não com o cassino financeiro que, normalmente, é apontado como indicador de expectativas econômicas.

“As empresas estão indo embora”, disse ontem Elio Gaspari; ” Este país precisa desesperadamente de crescimento econômico”, escreveu Janio de Freitas.  Quando as visões de dois analistas tão díspares convergem, é sinal de que saiu-se do terreno das opiniões para o da obviedade.

A menos de 100 dias de novo presidente, estamos vivendo o paradoxo de termos um governo já carente de legitimidade. E o que ele promete fazer – porque, até o momento, nada fez – na economia, em nome do alívio imediato das contas públicas, será também fonte de mais desgaste.

Não se pode precisar a velocidade com que virá, mas está bastante claor que caminhamos para um estado de convulsão, porque a esperança é o única barragem que a ele se opõe num quadro de carências como o do Brasil.

E a esperança está perdendo para o medo.

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13 respostas

    1. Tenho um amigo que desenvolveu a teoria de que estamos tomando uma vacina contra o fascismo. Todo o sofrimento do país vem do dolorosa efeito da vacinação, que é uma amostra limitada da doença de fato. Quando o processo chegar ao fim e estivermos plenamente vacinados, pularemos para uma nova plataforma de saúde na qual saberemos intuitivamente que fascismo nunca mais.

  1. O assassinato do humilde já começou a mando da CIA. 70 tiros em um carro brasileiro, o único cuidado a ser tomado é verificar se não tem nenhum americano na mira do tiro.

  2. Élio Gaspari :” Lá se vão os meus chapéus”. Não é nome de livro. Dizem que o senhor Gaspari tem mais de 1000 chapéus. Isso sem contar a quantidade que ganhou da tucanalhada que sempre apoiou e continua.

  3. Cai na besteira de clicar no artigo de Elio Gaspari. Percebe-se que a decadência do texto do autor se assemelha à que o Brasil está padecendo.

  4. E tem que ir embora mesmo. O povo votou neste esculacho que chamam de presidente. Qualquer CEO no mundo mudou a forma de calcular o risco em relação ao Brasil, e isso vai ir além de Bolsonaro. Porque na correta avaliação de qualquer um, o pensamento de Bolsonaro representa a maioria da população. Melhor não fazer negócios aqui. O brasileiro não presta. Ele fez a escolha por Bolsonaro. Ele é o responsável, aos olhos dos estrangeiros. Mesmo os que eram contra falharam, aos seus olhos, pois deveriam ter se organizado em torno de uma alternativa menos conflitante que o candidato do PT. A radicalização do embate nos trouxe até aqui. Acabou para o Brasil. Isso é mil vezes pior que 64, porque 64 teve o povo como vítima. Agora o povo é cúmplice.

  5. O discurso para justificar as reformas tem sempre o mesmo enredo, se não as fizermos é o fim do mundo, se as fizermos é um passo para o paraíso. Quando as fazem e o caminhão de estrume descarrega sua carga na nossa cabeça, muda-se de pronto o discurso. Primeiro, é culpa do descalabro do governo petista, de há quase 3 anos, mas, isto não vem ao caso. O que vale é tirar da reta. Em seguida, a inevitável nova “reforma salvadora”, com o mesmo enredo da anterior que deu merda. E o povo? Bate palma pra doido dançar. Aliás, perdão, doido não, safado, porque de de doido essa turma só tem a cara e o jeito. Doido ou burro é quem vai atrás.

  6. A “reforma” (destruição) da Previdência, segundo o próprio Paulo Tchutchuca, vai tirar R$ 1 TRILHÃO do bolso dos aposentados. A destruição da CLT (fim das férias e do 13º, por exemplo) tirarão até mais do que isso do bolso dos trabalhadores.
    Só sendo muito otário para achar que isso vai melhorar a economia. A elite sabe muito bem as consequências dessas medidas. Mas ela não se importa, pois atualmente vive de rentismo. Para que fabricar geladeiras e fogões, se o rentismo é mais lucrativo e dá menos trabalho? Assim pensam as elites. Só que rentismo é um prédio de 80 andares construído sobre a areia da praia. Quando desmoronar, o desastre será de proporções bíblicas.

  7. Sai um monte de MERDA, entra uma gigantesca montanha de BOSTA.
    Tamos FODIDOS realmente.
    PQP !

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