Dedo na tomada

Jair Bolsonaro, agora à noite, deu mais pistas de por onde vai caminhar o “bundalelê” administrativo que está disposto a promover, agora que conquistou o controle do Poder Legislativo.

Diz que vai “vai ‘meter o dedo’ na energia elétrica“.

Diga-se que, neste momento, é como meter o dedo numa tomada.

É óbvio que a energia elétrica está cara – e já esteve mais, mês passado, com a “bandeira vermelha” – embora a demanda ande hoje nos mesmos níveis de oito anos atrás, por conta da desaceleração da atividade econômica.

Ao contrário do que ocorre com a Petrobras, que detém o monopólio do refino (na prática, embora mercado de refinarias seja livre), no caso da geração de energia elétrica há uma imensa gama de empresas privadas. E, pior, há uma uma miscelânea de regras contratuais de reajuste das tarifas: uma parte se corrigem pelo IGP-M (25,71% em 12 meses) e outra pelo IPCA, que está por volta de 5%.

Não será pelos contratos ou pelos votos da Agência Nacional de Energia Elétrica que estes aumentos serão contidos mas, muito provavelmente, pela redução da carga tributária do fornecimento, aumentando o problema de Paulo Guedes em promover cortes que compensem a perda de receita.

Some-se a isso o fato de que, mesmo com as chuvas generosas deste fevereiro, o nível dos reservatórios do Sudeste – dois terços da capacidade de reservação nacional – está mais baixo do que no ano passado, quando mesmo com dois meses de paralisação das indústrias e redução imensa na área de serviços, chegamos ao final do ano “no talo”, tanto que se teve de acionar a bandeira tarifária vermelha alta, a maior, para “segurar” o consumo.

O uso de termoelétricas – com custo de geração muito mais caro – está sendo determinado numa escala muito superior ao que seria necessário nesta época e não há obras de expressão destinadas a ampliar significativamente a capacidade de geração do país.

Tal como ocorre com os combustíveis, uma política mais rígida de controle de preços, embora vital para o país, bate de frente com o sonho governista de privatizar a Eletrobras – prioridade para Paulo Guedes fazer caixa – com a capitalização em R$ 4 bilhões de uma empresa para reunir a parte mais lucrativa do sistema Eletrobras – a usina de Itaipu – e a usinas nucleares, facilitando a venda do restante da empresa.

Jair Bolsonaro está ensaiando meter-se num jogo complexo, do qual não tem a dimensão para a economia.

Se as águas de março não vierem fechar o verão como nos anos mais generosos e se a economia tiver recuperação – do que, registre-se, não há sinais – poderemos ter muitas Macapá.

 

 

 

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