A barbárie oficializada. Ou como Bolsonaro é um caso para Juizado de Menores

Um pai ou mãe ter uma deformação mental suficiente para vestir uma criança pequena com uma farda policial e por em suas mãos uma réplica de uma pistola é, claro, uma deformação mental a ser psicologicamente tratada.

O Presidente da República pegá-la ao colo, exibi-la e fazer “arminha” com a mão passa desta categoria e passa à de propaganda deformadora do comportamento social.

É o exemplo “oficial” do que se quer formar entre os brasileiros.

Há 40 anos, no Rio, proibiu-se a comercialização de armas “de brinquedo” para crianças.

Campanhas públicas foram feitas para recolhê-las

Guina Ramos, na foto que ilustra este post, registra o dia, nos anos 80, em que – para desespero de seus assessores, eu inclusive – Leonel Brizola resolveu pular sobre uma fogueira feita por armas de plástico trocadas por livros e cadernos .

Hoje, a cartilha é a da morte.

Que guiam as mãos ainda ingênuas que acariciam a pistola, mas que logo a manipularão como um desejo de matar.

Jair Bolsonaro é, também, um caso de Juizado de Menores.

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16 respostas

  1. Nós, brasileiros sadios mentalmente, estamos vivendo um pesadelo. A aberração se tornou nosso cotidiano, em pleno século XXI. Duvido que alguém tenha imaginado metade das coisas que estamos vendo. Será que toda essa maldade estava reprimida em nossa sociedade, aguardando o momento de se mostrar ? Ou a sociedade está apenas entorpecida após uma década de doutrinação ? Ou as duas coisas ? É um estudo para as próximas décadas.

    1. As duas coisas, sr. Passos. Com um agravante: não foi uma década de doutrinação, foram várias. A história pós-colonial brasileira registra muito tempo (aproximadamente 40% do período) sob regimes não-eleitos, militares ou não. Isto manteve vivo na sociedade os cacoetes do mandonismo colonial, logo externados nos numerosos movimentos de cunho autoritário, incluídas duas ditaduras formais. A tentação autoritária está presente no cerne de nossa formação como povo, e na educação da maioria dos brasileiros. Os poucos que tiveram a chance de receber uma formação mais humanista sempre foram desprezados pela maioria de seus pares, que viam nisto sinal incontestável de fraqueza de espírito, doutrinados que foram no exercício da força como único meio de autoafirmação. A aceitação e defesa de tal atitude dentre suas maiores vítimas, as categorias desprivilegiadas da sociedade, apenas mostra que ninguém passa por tanto tempo sob opressão social impunemente. O aprendizado silencioso da admiração pelo mais forte termina maior que qualquer discurso acadêmico sobre igualdade, que geralmente tem menor alcance e é solenemente desprezado por aqueles que se beneficiam, ou o farão um dia, do modelo social. Para a maioria, na infância já começa o aprendizado do verdadeiro mandamento brasileiro: “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. E ai daqueles que resistam.

      1. concordo com tudo apenas tenho dúvidas quanto aos 40%. Nas minhas contas não passariam de 77%, eu diria que o correto seria 14% de democracia política ampla e irrestrita (1989 a 2916 e só). Não falo e não confundo é claro com justiça econômica e social e outras condições para o bom funcionamento da ordem democrática, que estas não tocamos ainda.

        1. Confesso certo primarismo de minha parte na porcentagem, Policarpo. Apenas peguei os 130 anos de República e somei o número de anos sob mandatos de não-eleitos, alguns nada ou menos autoritários que certos governos eleitos, a exemplo do atual. Concordo que, para uma análise verdadeiramente acurada, deveria ter observado com mais cuidado quem e como foram certos escolhidos para governar. Mas o pouco tempo e o senso crítico me impedem de me arvorar a sociólogo ou cientista político de araque, pois não sou nenhum dos dois, apenas um curioso apaixonado por História, oriundo de outro ramo profissional. De toda maneira, grato pelo comentário, como nas artes o melhor da História é o debate e a troca de idéias. Saudações!

          1. Sim, verdade. Eu essa estava contando 197 anos e não apenas o direito de votar como de ser votado e não ser impedido de governar uma vez tendo sido eleita em eleições livres. Não mudaria nada do que você, Eu, descreveu como tentação autoritária. Está perfeito, não descreveria melhor. Um grande abraço.

    2. Há não muito tempo atrás, eu não imaginava que dez por cento do que está acontecendo hoje fosse aceito passivamente pela sociedade. Tive muitas decepções com pessoas ao longa da vida, mas a decepção que estou tendo com a sociedade como um todo para mim era inimaginável. Eu diria que o que levou as pessoas a se tornarem tão ruins foi a frustração por viver em uma sociedade que dá valor para o ter e não para o ser. Quem pode estar feliz se, ainda que de forma inconsciente, se rende a esse tipo de valor?

  2. Há mais de cinquenta anos, durante minha infância, lembro que minha avó proibia terminantemente armas de brinquedo nas mãos de seus netos. Na época era comum presentear meninos com revólveres, espadinhas, arcos e flechas de plástico colorido, etc. Quando um de seus netos aparecia com esse tipo de brinquedo em casa, ela simplesmente jogava no lixo depois de quebrar em pedaços, para indignação da meninada. Minha avó era mulher simples, nascida no final do século XIX, mas era certamente uma mulher à frente de seu tempo. A turma do Bozo não teve noções elementares de boa educação e vida mental saudável.

  3. É muito fácil perceber a deformação mental dessa família Bozo & Filhos ! É muito gritante são todos paranóicos não obedece a normalidade de ser humano estruturado , pacífico , civilizado. Estamos correndo um grande risco na nossa frágil democracia !

  4. Brito, fico imaginando o quanto o Brizola e o gigante Darcy Ribeiro trabalharam pela educação no Rio de Janeiro e no resto do país. Dá uma tristeza ver o que está acontecendo agora.

  5. Nenhum dos meus filhos homens receberam armas de plástico para “brincar”.
    É a cultura dos frouxos ,dos que não tem argumentos,dos que descem sem pudor nenhum ao nível dos delinquentes e domingo “limpam” suas almas na misa.Quanta hipocresía

  6. Já não existe mais “juizado de maiores”, quanto mais “juizado de menores”, para coibir essa aberração em forma de gente?

  7. Toda minha concordância a esta indignada, mas lúcida denúncia do uso criminoso das crianças para promover as armas e a morte, como política de governo e de poder.
    É uma honra ter minha foto simbolizando esta postura humanística, que apoio e que teve em Brizola uma liderança
    consciente e efetiva. Infelizmente, através de golpes midiáticos (com filmes militaristas e novelas deseducantes), justiças classistas (que não defendem o povo) e igrejas alienantes (dominadas pelo dinheiro), chegamos ao prenúncio de um inferno que está sendo criado pelas mãos e mentes destes psicopatas que engolfaram o poder.
    Pretendem fazer do Brasil um grande campo de batalha, para atender à sua busca sádica de prazer e aos interesses nos ganhos advindos dos comerciantes de armas.
    Paz e justiça social para o povo brasileiro!
    Abaixo as armas! Viva a vida!

  8. Stefan Zweig em seu livro “Brasil, país do futuro” não foi capaz de prever a tragédia que ia ser protagonizada por um povo que em parte considerável, não ama seu país. Patriotas de boteco, de jogo de futebol, de panelaços em terraços gourmet. Bufões, mentirosos, trapaceiros, ladrões, assassinos, que trafegam impunes com suas drogas na “sociedade brasileira”, são gente de bem, de família. E chegam a altos cargos no estamento social e político. Não se faz um país de futuro com essa mão de obra, viu Herr Zweig? Como construir um país? Respeitando terra e sangue. Vejo o Brasil como uma entidade frágil: sua independência veio de uma intriga palaciana e seu território do trabalho de um grileiro abnegado. O que vemos atualmente com um bando de depravados no governo do Brasil é sintomático. É uma forte indicação de decadência que leva à dissociação.

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