A culpa é do trabalhador “indolente”

Incrível a reportagem de O Globo sobre o imenso prejuízo – R$ 4,8 bilhões, dizem – que o país terá em 2020 por ter – atenção, atenção – dois (!!!!) dias úteis a menos que em 2019, por conta dos feriados.

O próximo ano terá 251 dias úteis, dois a menos que 2019, e o número de feriados em dias da semana será maior: serão 11 contra oito. Mais que isso, serão seis dias de folga que poderão ser emendados com sábado e domingo, contra dois em 2019. Esse efeito calendário terá influência na atividade econômica. O brasileiro vai folgar mais e trabalhar menos no próximo ano. A retomada do crescimento mais forte da economia em 2020 é esperada pelo governo, analistas e bancos.

Onde é que o feriado na sexta ou segunda se diferencia do feriado no meio da semana? Onde é que o comércio deixa de faturar por conta de feriados, exceto nas lojas dos centros das cidades, porque nos bairros e nos shoppings todas abrem? Onde é que bares, restaurantes, lanchonetes e padarias deixam de ganhar com aqueles dias feirados – e olhe que são só dois a mais – aumentando assim a demanda das indústrias de bebidas e de alimentos? E o comércio dos locais de turismo, ganha ou perde com feriados emendados?

Até de gente capacitada ouve-se bobagem, como a de um funcionário do IBGE, louco para fazer coro com o senso comum:

O maior número de feriados não atinge setores de produção contínua, como o siderúrgico e o de óleo e gás, mas afeta o de automóveis e o de eletrodomésticos.

Ok, você deixa de trocar de automóvel porque quarta-feira foi feriado? Deixa de comprar geladeira ou televisão porque quinta-feira é dia santo? Vai deixar de comprar arroz ou feijão, ou uma camiseta que está precisando porque terça-feira a loja está fechada?

Ora, é evidente que esta demanda de consumo apenas transfere-se de dia, isso no caso de lojas que não abrem – e nada as impede de fazê-lo, gratificando um mínimo a parte de seus funcionários, até porque os administrativos podem folgar.

Sem contar o fato de que as compras, nos setores mais hard, como eletrodomésticos, são cada vez mais realizadas pela internet.

Mediocridade pura de quem não sabe investir em qualidade no atendimento, no pós-venda, no desconto (à vista ou em 6 vezes no cartão ainda custa o mesmo), na capacitação dos vendedores para sugerir alternativas ao produto do qual se ia desistir…

O que derruba o comércio é o desemprego, a estagnação da renda, a incerteza econômica da população, não o feriado.

Na toada desta estupidez, capaz de estarem querendo que Bolsonaro expanda para os feriados aquela ideiazinha medíocre sobre emprego e direitos: “é melhor ter trabalho todo dia do que ter feriado e não ter trabalho.

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24 respostas

    1. Claro q cai…???? Deve ter alguem q passa a virada do ano pendurado no site da Amazon tentando fazer a primeira compra do ano

  1. Talvez receitas de bolo ou versos de Camões fossem uma opção menos medíocre, quando o objetivo é encher páginas de jornal e ao mesmo tempo fugir de uma “realidade incômoda” que nos cerca como numa sinuca de bico.
    Diante da encalacrada, a redação do Globo larga o taco, fala abobrinha e tenta baratinar o distinto público, enquanto o mundo desaba lá fora.

  2. a estupidez está de vento em popa. deve ser por isso que a economia não deslancha. E como dói ver um funcionário do IBGE endossando uma bobagem dessas. Se tiver mais desse naipe, vai se auto-destruir

  3. E o pior é que as pessoas acreditam nessas baboseiras. Já vi mais de uma pessoa repetir que o Brasil tem feriados demais, que o povo não trabalha, só quer ficar na praia bebendo etc. Por isso estaríamos atrasados em relação aos países desenvolvidos. Lugar comum que elas ouvem na mídia e repetem.

  4. Eu quase surto de ódio toda vez que escuto essa falácia de que “feriados causam prejuízo para a economia”.
    Que bom que não sou o único, e que alguém conseguiu em poucas e boas palavras derrubar esse argumento estúpido.

    Enquanto aqui se demoniza o feriado como o novo culpado pelo não acontecimento da prometida retomada da economia, cada vez mais empresas no mundo começam a implementar a semana com quatro dias úteis e vendo aumento na produtividade.

  5. Meu Deus do céu … até burrice tinha que ter limite, ou não é burrice deles, os jornalistas, mas sim de seus leitores, o gado.

  6. “Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma.” (Joseph Pulitzer)
    Estamos em plena era da mediocridade. Mesmo diante de tudo que está acontecendo de ruim (muito pior do que poderíamos imaginar), apenas 36% da população considera o governo atual ruim ou péssimo.
    Penso que esse mundo não voltará aos eixos antes de acontecer alguma grande tragédia.

  7. O que parece é que já pressentem um desastre econômico no próximo ano, e estão tentando estocar desculpas esfarrapadas.

  8. Se querem informação de verdade não dá pra ler essa porcaria de jornal, desinforma, deseduca e manipula. Felizmente temos a rede pra democratizar a notícia e o conhecimento.

  9. Quando um determinado procurador do MPF, metido a Beato Salu desclassificado, disse que a nossa principal fragilidade é a nossa origem, que não foi divina como a dos cristãos do Norte, eu fico pensando: E se, naquele ‘divino’ país, o sul tivesse ganho a guerra? Aquele imbecil saberia a força que tem uma raiz escravocrata na história de uma sociedade.
    Né não?

  10. Falam tanto de Mercado mas de verdade suas pitonisas e seus pajés não têm a mais pálida ideia de como funciona sua querida, idolatrada e imperscrutável entidade.

  11. Na visão do explorador, não deveria haver nenhum feriado. Pior, os trabalhadores deveriam trabalhar de domingo a domingo. Lógico que o ricaço tem pessoas para tocar seu negócio enquanto ele curte a vida.

  12. A matéria de capa do Uol é que a bolsa do Brasil bate ouro e é o melhor investimento de 2019. “Bate ouro”, é mole? A imprensa está fortemente com Bolsonaro. Ainda estamos muito distantes de quebrar essa bolha, pois a pobrada, se valendo do Uber, tá vivendo. Acreditam firmemente que na próxima esquina está o pote de ouro que os livrará da dependência de uma aposentadoria pelo INSS.

  13. A industria do turismo domestico é ativada, e o consumo de serviço e de comercio, é aquecido de maneira impar nesses feriados prolongados. Acredito, que de maneira geral, agregue a economia esses feriados por aumentar a demanda. Eu mesmo, vivo em uma cidade que tem como uma das principais fontes de renda e empregatícias, vindo das necessidades do turismo. Inclusive na construção civil, o turismo alavanca de forma intensa, mexendo com a economia das cidades turísticas, principalmente as pequenas. Nelas, ainda se tem ainda muito a construir na estrutura da industria do turismo. Esses feriados devem ser maravilhosos para a economia do país, essa informação negativa é cegueira de empresário imbecil. Um país de sol a pino, e de 8000 km de litoral, dizer que os feriados fazem mal pra economia? Um país de um interior farto de lugares turísticos maravilhosos, vcs acham mesmo que esses feriados fazem mal a economia?
    APROVEITANDO O ESPAÇO, PEGO UMA CARONA!
    RUA DO BIQUÍNIS – CABO FRIO – RJ: ONDE A INDUSTRIA DA MODA PRAIA LHES PROPORCIONAM MAIS DE 100 LOJAS DA INDUSTRIA DE CONFECÇÃO FLUMINENSE NESSE SEGMENTO, INTIMAMENTE LIGADA AS ATIVIDADES TURÍSTICAS. ESSE POLO DE MODA, JÁ SE PREPARA COM CONTRATAÇÕES PARA O ANO DE FERIADOS.

  14. O que parece é que já pressentem um desastre econômico no próximo ano, e estão tentando estocar desculpas esfarrapadas. Pra não se dizer que não respeitam tradições, querem ressuscitar uma das mais manjadas bandeiras da famigerada UDN: o ataque aos feriados, um liberalismo vintage.

  15. A Fiat, para instalar sua fábrica, em Goiana, Pernambuco, fez a Câmara de Vereadores votar uma lei acabando com os dois feriados municipais, o do Dia de Nossa Senhora do Rosário e o do Dia de São Pedro, os dois padroeiros da cidade.

  16. Mídia podre, corrupta, vendida, sem ética, imoral. dois dias a menos dará prejuízo de quase 5 bilhões ao país. Esses jornalistas tem lixo no lugar do cérebro, ou são apenas CAPACHOS dos chefes que mandam escrever só o que eles querem. Triste fim da mídia familiar que vai se enterrando na mesmice de 50 anos atrás pra se manter da mesma forma como se criou, bajulando poderosos.

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