A deprimente guerra dos generais

Nada poderia ser mais deprimente e corrosivo para a Forças Armadas que o fato de terem sido transformadas em palanque para saber quem é o general aposentado que, em seu nome, será indicado como “irmão fortão” do desaforado capitão fascista e lhe servirá de “ameaça” aos políticos (para não se atreverem a um impeachment) ou mesmo a todo o país, pelo medo de que se arraste os militares para uma tragédia golpista ante o resultado das urnas.

Pois, afinal, é isso o que está em jogo na “disputa” entre os generais Augusto Heleno e Walter Braga Netto pela vaga de vice na chapa bolsonarista.

O primeiro, acena com seu “bolsonarismo-raiz” e sua linguagem cavalar para obter o apoio das hordas fanáticas da extrema direita; o segundo, no sua “força na tropa”, isto é, na sua capacidade de usar a máquina bélica do Estado brasileiro para “sustentar” a imposição de resultados eleitorais antagônicos à vontade popular.

E, por trás desta disputa, o poder que representa ser o “sócio” do “Bolsa Farda”, o extenso programa de poder de oferecer cargos aos oficiais que ocupam postos de final de carreira militar que ficam sob a tentação de by-passar os seus comandos hierárquicos em nome de uma proximidade com os que podem lhes prover o futuro.

Espremido entre a subordinação a dois ministros -Defesa e Segurança Institucional – os integrantes do Alto Comando do Exército (em menor grau, o da Marinha e da Aeronáutica – vivem um clima complicado, onde nem mesmo discutir a conveniência de manter-se um militar na vice-presidência, depois da experiência terrível que se viveu com o general Mourão.

Sergio Moro seguiu a mesma seara, transformando o general Santos Cruz em autodesignado porta-voz militar informal de sua candidatura, canoa furada onde Lula não podia nem quis embarcar.

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