A licença para matar já está aí, faz tempo

Quem quiser saber se já estar em vigor o “excludente de ilicitude” pregado por Sergio Moro e Jair Bolsonaro, leia a matéria de hoje de O Globo.

“A maioria dos casos [de homicídio] envolvendo PMs, porém, nem é investigada, segundo as fontes ouvidas pelo GLOBO”.

Dos que são investigados, diz o jornal, a maior parte é arquivada “pelas próprias corregedorias das PMs; pelas decisões dos MPs de não levarem as acusações adiante; ou por determinação dos juízes”.

E, no que resta a ser julgado, dois terços resultam em absolvições.

No Rio, em 2018, enquanto morriam 1.534 pessoas em decorrência de ações policiais, apenas 1% dos agentes iam a julgamento: 19 casos, dos quais 16 resultaram em absolvições.

84,2%, na proporção que o texto não diz, acima dos 65,6% que o CNJ registra de absolvições de policiais.

Não estranhe a taxa: é um milagre que 15% sejam apenados. Afinal, crimes de morte vão a júri popular e quem é que vai da a cara para condenar um “polícia”.

Uma juíza, Patrícia Accioly, andou fazendo isso e todo mundo sabe o que aconteceu com ela, muito mais protegida que o cidadão anônimo. 21 tiros a excluíram do mundo dos vivos.

Do que o Brasil precisa não é um “excludente”, mas de um “includente” de ilicitude para uma das polícias que mais mata no mundo.

 

 

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on whatsapp
WhatsApp
Share on email
Email