A ‘meia-desculpa’ do ‘morismo’ da Folha

O leitor fica até animado com o início da coluna do ombudsman da Folha, quando ele abre o texto dizendo que “a mídia nacional aderiu à pré-candidatura de Sergio Moro à Presidência”.

Logo em seguida, porém , diz que isso é “a última certeza das redes sociais e de parte do público que persevera na leitura desta Folhae que “nada disso se sustenta”.

À parte a ingratidão com os leitores teimosos como eu, o ombudsman se contradiz todo o tempo, quando admite que, ao menos hoje, Moro é competidor que está “lá atrás”, muito mais do que uma imprensa que o trata com mais espaços que aos candidatos que reúnem, sempre, perto de 70% do eleitorado e com grande vantagem de Lula nesta soma.

E sai, então, a conveniente explicação de que isso seria uma ato generoso de uma imprensa que desejaria ardentemente tirar Bolsonaro do horizonte:

Mas, afinal, a mídia está com Moro? Parte dela sempre esteve, isso é fato, mas o que há, não apenas na imprensa, é uma inegável empolgação com qualquer um que possa tirar Bolsonaro da corrida, ainda que Lula sobre no final.

Quer dizer que é parte da esconjuração do feitiço que produziu Bolsonaro incensar o feiticeiro Moro, um dos que mais conjurou os ódios que moldaram a eleição deste sujeito desclassificado?

Tirar um autoritário tosco para colocar um autoritário quase tão tosco?

Com que base se afirma que “uma inegável empolgação com qualquer um que possa tirar Bolsonaro da corridaquando se vê, nas pesquisas mais recentemente divulgadas que Moro tem uma rejeição eleitoral acima dos 60%, quase tanta quanto tem o atual mandatário?

Que não se descarte o potencial eleitoral de Moro, vá lá, porque não se pode adivinhar, mas dizer, sem qualquer fundamento, que ele goza de simpatia eleitoral, mesmo que tendo, em pesquisas sobre 2° turno, resultado pior que o de Bolsonaro em um hipotético confronto com Lula?

O fato concreto é que Moro, nas pesquisas que lhe são mais generosas e num momento de superexposição – a confirmação de que será candidato e o lançamento festivo de sua candidatura, não chegou à metade de Bolsonaro e a um quarto de Lula.

O resto é confete.

Ou, pior, mistificação. Moro não é o exorcismo de Bolsonaro, é a sua mutação. Como observa Olga Curado, no UOL, “Moro quer ser Bolsonaro, é a mesma via. Não uma outra”.

E ela acerta em cheio: é democracia ou fascismo o que está em jogo no processo eleitoral.

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