A morte não perdoa a desídia

Os números da tragédia do novo coronavírus no Brasil , crescentes, são – todos sabem – resultado do que fizemos de imprudente há duas semanas.

Como não mudamos, a não ser para pior, nestas duas semanas em que as ruas se encheram, as filas e aglomerações cresceram, sabemos que, pelo menos pelo mesmo tempo teremos casos crescentes de adoecimento e de morte.

Mudamos de patamar, de casa das 400 para as 600 mortes diárias e dos seis mil para os dez mil novos infectados por dia. Mudaremos de novo e agora sabe Deus se para perto de mil perdas de vidas e 15 mil novos casos diários.

Diante das pressões do governo federal, prefeitos e governadores hesitam em fazer o que é seu dever e interromper a circulação de pessoas, que só pode se dar pela interrupção das atividades econômicas, jamais – como se demonstrou – apenas com bloqueios de tráfego, que geram mais confusão que efetividade.

Além do mais, é o transporte público, por sua própria natureza de massa, um dos principais focos de transmissão da doença, não sozinho, porque estamos assistindo há duas semanas as insanas filas na Caixa para tentar obter o auxílio que, afinal, vira auxílio-contaminação.

Não é possível prever mecanicamente o que vem pela frente, porque a epidemia transferiu-se, de vez, para os bairros mais pobres, ode as condições de isolamento são ainda mais precárias.

Pode ser, infelizmente, que a progressão não seja mais geométrica, mas exponencial.

Vamos pagar o preço de termos serviços públicos enfraquecidos e governantes ensandecidos.

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