A ressaca do 7/9 veio forte e ainda não acabou

 

No feriado, escreveu-se aqui que viria, na economia, bem forte a resssaca do porre golpista do Sete de Setembro.

O dia com 3% para cima no dólar e quase 4% de queda na Bovespa, mas isso não foi o pior. É que estes índices foram crescendo durante o dia e, apesar de ser natural dos movimentos de mercado alguma recuperação amanhã, há poucas indicações de uma recuperação significativa.

Há novos fatores entrando no radar.

As perdas de acumulação dos reservatórios estão se acelerando com a elevação das temperaturas: ontem, um feriado, a demanda foi 4% maior do que a prevista pelo Operador Nacional do Sistema.

O IPCA – que o IBGE divulga às 9 horas, deve levar a inflação acumulada em 12 meses a 9,5%. O primeiro índice semanal de preços ao consumidor da Fundação Getúlio Vargas já saltou para 0,91%, bem acima dos 0,71% da primeira semana de agosto.

A baderna que frotistas de caminhão iniciaram hoje e que já afetam o transporte em 14 estados, se não forem dissolvidas, podem piorar, porque o bolsonarista foragido que se denomina “Zé Trovão” está nas redes sociais, convocando uma paralisação total do tráfego de mercadorias a partir das 9 horas: “acabou, não passa mais nada, somente ambulância, oxigênio e remédio“.

Há uma ordem de prisão contra ele desde sexta-feira e a Polícia Federal, apesar de ele fazer seguidas aparições nas redes e em público, não a executa.

Fazem-se corridas aos postos de combustível em alguns locais, como Blumenau e Florianópolis, em Santa Catarina.

O Brasil vive um estado de sobressalto e isto pesa sobre as decisões de investimento, que já se travam com juros mais altos e subindo já mais 1,25% na próxima reunião do Copom, a 6,5% ao ano, daqui a duas semanas.

Jair Bolsonaro, assustado, manda uma mensagem de áudio para amansar aqueles a quem ele açulou, mas talvez seja tarde.

 

Tudo isso se materializa nos códigos de barra dos supermercados, que substituem, silenciosa e discretamente, as maquinhas de remarcação, mas não os seus efeitos.

Estamos caminhando para o último trimestre do ano, para o qual se previa uma elevação da atividade econômica e um queda forte da inflação, para levar o acumulado do ano para um nível administrável. E o que já se espera dele é estagnação e alta de preços que se assemelhe a 2022, ou seja, uma desvalorização da moeda que ficaré bem perto ou até atinja os 10% anuais, com um PIB de 5% ou ligeiramente menor.

A vaca está, solenemente, indo para o brejo, empurrada pelo gado.

 

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