A vez do Rio de Janeiro

São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e a Bahia estão em colapso, sem vagas nas UTI e com recordes de mortes se sucedendo, muitas delas nas fila de espera de internação.

Entre os grandes estados, até ontem, só o Rio de Janeiro aparentava ser uma “ilha de tranquilidade”, sem UTIs superlotadas nem mortes disparatadas.

Chegamos ao luxo preguiçoso de nem sequer registrar as mortes no final de semana: dia 15 de março, quando se deram os dados de domingo, 14, só uma pessoa havia morrido, pelo informe da Secretaria de Saúde do Estado, embora os cartórios tenham registrado 154 óbitos com suspeita ou confirmação de COVID-19 naquele mesmo dia 15.

Na manhã do dia 16, neste mar de conforto, 170 pessoas esperavam vaga numa UTI por Covid (só 9 obtiveram vaga) e outras 67 aguardavam por um leito de enfermaria – outras 70 conseguiram uma cama hospitalar.

São dados do Conselho Estadual de Saúde, bem menos agradáveis que os do governo do Estado, contidos no documento cujo título dispensa explicações: “Situação se agrava no RJ e índice de internações em UTI alcança 98%“.

O “jeitoso” Secretário de Saúde carioca, Daniel Soranz, que depois de inventar a vacinação por contagem regressiva de idade agora criou uma inédita divisão por gênero (homens vacinam num dia, mulheres em outro), já começou a antecipar a inevitável revelação da realidade, ao dizer que o “cenário da Covid na cidade está evoluindo muito rápido” e fala em conseguir leitos privados, que simplesmente não existem,

É mais cômodo que entrar em choque com o Governo Federal, que mantém 770 leitos fechados nos hospitais federais por falta de tudo, desde equipamentos e conservação das instalações até – e este é o maior gargalo – falta de pessoal.

É esta precariedade que faz da cidade do Rio de Janeiro a campeã de letalidade, com 9% dos que contraem Covid “evoluindo a óbito” como se diz em linguagem médica, enquanto esta taxa, no Brasil é de 2,4%.

Portanto, pode esperar para os próximos dias a explosão de mortes no Rio de Janeiro. Há estoque de subnotificação de sobra para isso.

 

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