Acordo Fux-Lira, Silveira livre e a ‘broderagem’ institucional

Anunciam-se negociações para uma “saída honrosa” para o Centrão diante da prisão do brucutu bolsonarista Daniel Silveira: o STF relaxaria a prisão em flagrante do deputado e a Câmara garantiria seu julgamento no Conselho de Ética da Casa, aquele mesmo que, até hoje, nada fez quanto à deputada Flordelis.

Não é impossível que saia, aliviando a barra do maximinion bombadão, mas será uma explosão dentro do STF e uma completa desmoralização da corte, que já não anda bem das pernas perante a opinião pública.

Mais: será a senha para que os ataques ao Supremo, que já andaram na base dos rojões, voltem a se acentuar: afinal, não “vai dar nada” contra seus promotores se houver alguém com mandato a dar-lhes cobertura.

Tudo teve simbolismo na sessão de ontem do STF: os votos rápidos e concisos de quase todos os ministros, a cena estudada para para parecer que o deputado – “Daniel do quê, mesmo? – não tinha qualquer importância (e não tem, mas o extremismo que ele representa tem muita).

Mas teve, ou deveria ter, também, a fala do único que se estendeu na apreciação do caso: Marco Aurélio Mello. O decano do Tribunal disse com todas as letras que considerava que a Câmara “não ia faltar” aos seus deveres com a democracia e que o rito legal agora punha nas mãos dela decidir se a ordem de prisão cairia ou seria mantida.

A Câmara, a depender de seu presidente e dos arranjos que consiga com Fux e dos que esse obtenha com Alexandre de Moraes, para que este se submeta à expectativa de Arthur Lira e de Fux em que relaxe, após a audiência de custódia que fará esta manhã, a prisão em flagrante de Silveira em nome de “não haver uma crise institucional”.

Crise institucional por conta de um sujeito de boca imunda que ameaça “bater na cara” de um ministro do Supremo “com um gato morto até ele miar”?

Um pinóia: ninguém está preocupado com o destino de Daniel Silveira, que destes se arranja em qualquer lugar de marombagem, mas com o fato de que os deputados bolsonaristas – inclusive o filho do presidente – sejam obrigados a dizer, em voto aberto, se protegem ou não o “parça”.

A mesa da Câmara está já na “broderagem”. Resta saber se a presidência do Supremo vai entrar na festa e pagará o preço de aumentar a desmoralização que já enverga sua balança.

 

 

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