A intriga política é como certas infecções: só se instala se o organismo está debilitado.
É isso o que está ocorrendo com a candidatura Aécio Neves.
Difícil imaginar que um governo a caminho da reeleição pudesse passar por um período mais difícil do que o de Dilma passou este ano, num processo que somou situações reais difíceis com projeções – imaginárias, mas poderosíssimas – catastróficas diariamente desenhadas pela mídia.
Mesmo assim, Aécio permaneceu empacado, com resultados pífios nas pesquisas, sobretudo porque seu provável bom resultado em MInas, acima de 40%, revela que, no restante do país, sua média não vai além de 10%.
É por isso que Janio de Freitas falou, ontem, da preocupação de Fernando Henrique Cardoso e Geraldo Alckmin com a “inconvincente determinação de Aécio Neves de levar adiante sua candidatura”.
A Folha de hoje traz mais uma iniciatíva politicamente ridícula dos marqueteiros aecistas: mandar e-mails com um “tema da semana”, para que os tucanos falem da mesma coisa, ao mesmo tempo, bem ensaiadinhos, com argumentos pré-fabricados.
Vai funcionar tanto quanto o “jenial” Aécio Boladasso no Facebook, que jaz, abandonado, há mais de uma semana, o mesmo tempo em que “viveu”, mesmo com a promoção grátis de O Globo.
A pior notícia para Aécio, entretanto, está hoje na coluna Painel.
É a de que, para pressionar Dilma, o empresariado paulista ameaça apoiar um candidato de oposição: Eduardo Campos.
Aécio, portanto, faz mais medo que um candidato que não tem praticamente nada como patrimônio político no Sudeste, exceto a duvidosa transferência de Marina Silva, a cumplicidade de Alckmin e uma imensa vontade de servir ao capital.
Aécio, entretanto, consegue produzir um milagre entre os tucanos: fazer coincidirem as opiniões de Fernando Henrique e José Serra: a de que não seria “nenhuma tragédia” Campos tomar o segundo lugar do mineiro.
Como diz José Serra, ainda vão acontecer muitas surpresas nesta eleição.
Mas nenhuma delas, porém, em relação ao caráter e ao espírito público de certos candidatos.