Avisem a Damares que estamos no século 21!

João Paulo Saconi, de O Globo, encontrou um vídeo que, francamente, expõe o primarismo da senhora Damares Alves, advogada e assessora parlamenta do quase ex-senador Magno Malta e, anunciada como “cotada” – esta estranha categoria criada por Jair Bolsonaro para fritar nomes – para o “Ministério da Família e do Direitos Humanos”.

Diz a referida senhora:

— Me preocupo com a ausência da mulher de casa. Hoje, a mulher tem estado muito fora de casa. Costumo brincar como eu gostaria de estar em casa toda a tarde, numa rede, me balançando, e meu marido ralando muito, muito, muito para me sustentar e me encher de joias e presentes. Esse seria o padrão ideal da sociedade. Mas, não é possível. Temos que ir para o mercado de trabalho .

Dona Damares, o seu “padrão ideal de sociedade”, que nunca existiu senão para as madames que vivem de profissão de “mulher de marido rico”, é um lixo, porque supõe que a mulher não tenha nenhuma aspiração mais forte que o ócio e a futilidade. A senhora me perdoe, mas seria o mesmo que eu dizer que eu gostaria de estar em casa toda a tarde, numa rede, com um mulher para me sustentar e encher de “mimos”. O nome que eu mereceria, por uma questão de pudor, abster-me-ei de dar.

Francamente, isso dá a medida da capacidade intelectual desta senhora.

O trabalho, D. Damares, é muito mais que um dever que se cumpre. Seja qual for o ofício, é a plena realização do ser humano em sociedade, é aquilo que o integra, o faz ser parte do mundo, interferir na realidade. É muito mais, por isso, que um dever, é um direito humano que deve ser exercido. Porque se há a escravidão pelo trabalho, há a escravidão onde a dependência, ainda que no ócio, torna servo (e neste caso, serva) quem não é capaz de prover o próprio sustento.

Ou a senhora acha que uma menina deve ser educada para “fazer um bom casamento” e só se “não for possível” ter uma profissão?

Manter a dependência por este caminho, D. Damares, sempre foi uma estratégia de dominação da mulher: “mulher minha não trabalha fora”, lembra-se? “Dentro”, nas tarefas domésticas ou até “se balançando numa rede (enquanto outra mulher, empregada ou escrava, faz as “tarefas femininas”), claro, podem e devem trabalhar.

O seu, “padrão ideal de sociedade”, D. Damares, ficou para trás no tempo, felizmente.

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