‘Banco de talentos’, o novo nome do ‘é dando que se recebe’

O Estadão anuncia, numa cara dura invejável, que o governo resolveu formar um “banco de talentos” para a nomeação dos cargos de segundo escalão.

“A ideia é que os deputados e senadores da base de sustentação do governo no Congresso apresentem currículos de “técnicos” para as vagas disponíveis. As indicações serão avaliadas pelos ministros, que farão uma espécie de processo seletivo, podendo até mesmo recrutar militares da reserva”.

Para aprovar a reforma da Previdência está, pois, criado o “concurso impublicável” para cargos no serviço público. É evidente que a aprovação de cada indicado nãoserá ato isolado do chefe do ministério ou regida apenas pela qualificação pessoal do candidato, pois é simples entender que isso faria com que alguns parlamentares fossem atenddos e outros não, o que só complicaria o “acerto” com nomeações.

O disfarce é roto, esfarrapado.

Nos jornais, já se fala abertamente num “pacote de emendas orçamentárias”, que envolveria a liberação de R$ 10 milhões por cabeça para os deputadosreeleitos (que já têm algumas no Orçamento) e R$ 7,5 milhões para os “novos” que, obviamente, não têm remessas de dinheiro votadas no ano passado.

É o que registra Bernardo Mello Franco em O Globo:

Os deputados não devem se contentar com nomeações. Para apoiar a reforma, a bancada ruralista exigirá a manutenção de subsídios que Guedes pretende extinguir. Já os partidos do centrão querem que o governo crie uma espécie de cota de gasto extra por parlamentar.
As tratativas já incluem cifras. Segundo o presidente de um partido médio, a ideia é que cada deputado novato tenha direito a indicar R$ 7,5 milhões em obras e repasses federais. Para os reeleitos, a cota seria de R$ 10 milhões. Apesar do discurso oficial contra o “toma lá, dá cá”, a Casa Civil tem indicado disposição de negociar.

Para quem figurava como pretendendo governar com o “rolo compressor da opinião pública” – com todos os primarismos que hoje parecem nos sufocar – é uma mudança e tanto pretender fazê-lo com o rolo compressor do centrão parlamentar. O próprio Jair Bolsonaro passou recibo disso ontem ao dizer, em rede de TV, que a condução da reforma, agora, é de Rodrigo Maia, na Câmara, e de Davi Alcolumbre, no Senado.

Como este ano a quarta-feira de Cinzas veio antes do Carnaval – mais precisamente na quarta-feira, 13, do tuíte que detonou a crise Bebianno – vai começar agora o desfile de fantasias.

É evidente que os deputados não se animarão a dar o “toma lá” de apressar o processo de votação da reforma antes de consumados os “dá-cá” com que se lhes acenou. Ser fisiológico não é ser bobo.

Daí que já se cogita em deixar a formação das comissões para depois que Momo se for: “Maia também só pretende definir os comandos das comissões depois do feriado”, informa o Painel da Folha, avisando também que há gente disposta esperar que cheguem também a hora da tosa verde-oliva, prometida para 20 de março.

A semana seguinte ao Carnaval começa em 11 de março, segunda. Ou 12, terça, em se tratando de Câmara dos Deputados. É possível e até provável que uma e outra intenção sejam a mesma.

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13 respostas

  1. Dentro dos parâmetros ideológicos exigidos como prerrequisito por esse governo, não existem pessoas com talento.

  2. esse traste não pode continuar desgovernado o brasil
    basta, chega de tanta indigência mental e de tanta laranjada

  3. Estes deputados e senadores só estão no congresso porque foram eleitos com votos do povo. Foi nisso que deu deixar qualquer idiota tirar título e votar.

    1. Esse seu comentário é de uma estupidez patente. É exatamente a mesma coisa que diziam os coxas quando Dilma foi eleita em 2014. O problema é o Estado e a mídia não conduzirem campanhas ativas para engajamento político real dos cidadãos, e também o fato de que ninguém faz nada quando os pastores pilantras arrebanham os seus fiéis e, além de lhes roubarem o pouco que têm, fazem também campanha política.

        1. “Foi nisso que deu deixar qualquer idiota tirar título e votar.”
          Claro que agora os culpados pelo estupro são os estuprados, afinal de contas otários feito vc também ajudaram na eleição desses deputados e senadores.
          Ou vai querer me enganar que só votou no bozo e mais ninguém?

  4. Já ouvi pessoas dizerem que, se estivessem no parlamento, agiriam da mesma forma (participando do toma-lá-dá-cá). Ou seja, é provável que, mesmo com tantas falcatruas, o congresso realmente represente a sociedade brasileira. Uma lástima. É preciso muito investimento, em todos os níveis, na educação cidadã.

  5. O único talento selecionado até agora por esse governo e seus parceiros é a medida da capacidade em fazer asneira e reproduzi-la em escala catastrófica.
    48 horas sem uma grande cag… e parece que estamos em um mar de calmaria. Parado, monótono, um marasmo.

    Hoje somos movidos à adrenalina, sem um grande pico de crise no Brasil resta aquela vidinha chata do dia-a-dia, trabalho, happy hour sem assunto e o sexo matrimonial de sexta à noite. Nem o futebol aos domingos ajuda mais… Por favor, selecionem todos os 22 mil que Onix disse que ia cortar. Preciso de agito, vamos lá, tchurma, colaborar!

  6. E qual é o talento desse Bando? Roubar? Desviar dinheiro público? Lavar dinheiro? Liderar milícia?

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