Bolsonaro ainda pensa em eleições?

A quantidade de público nas manifestações bolsonaristas, embora possam impressionar – talvez chocar fosse a palavra mais correta – como poderio eleitoral do presidente, são sinal, cada vez mais evidente, que não é a disputa eleitoral de 2022 o objetivo de Jair Bolsonaro.

Muito embora o seu “núcleo duro” de seus apoiadores seja sólido e tenha expressão numérica, são evidente minoria e a radicalização de seu comportamento mostra que ele está sendo desidratado, o que aument o coeficiente de loucura e desatino, como estamos assistindo agora nas manifestações de alucinados e marginais que tomam a ribalta das manifestações.

É possível que o Datafolha que está sendo apurado para divulgação no final de semana, para captar o efeito das manifestações do Sete de Setembro, acentue uma tendência que é pior do que a perda de tamanho da sua base de apoiadores, que não dá sinais de cair abaixo de um quarto – pouco mais, pouco menos.

Bolsonaro está perdendo qualquer sentimento “neutro” – desinteresse ou tolerância – para si. O seu grau de rejeição tende a ser toda a parcela que não está fanatizado por ele.

Um após outro, fechou todos os canais de comunicação com qualquer força política, inclusive as que cooptou no início do ano, as do Centrão.

A radicalização que Bolsonaro é uma armadilha, e armadilha evidente, porque é preciso ser mais abilolado que um bolsonarista para acreditar que no curto ou médio prazo a situação de crise econômica será revertida. Nem Paulo Guedes consegue mais sustentar a ideia do “V” de vitória sobre a recessão econômica.

Mais inflação e menos crescimento econômico – isso se não for zero – não são bons presságios para governante que deseja se reeleger, em condições políticas normais. Mas, nas polarizadas, como a que entramos faz tempo, tendem a tornar plebiscitária a decisão.

Só há uma casa onde Bolsonaro pode apostar suas fichas continuístas: uma situação de confronto. E ele dispõe de grupos bizarros o suficiente para isso, como a marginália que hoje tumultua o país.

Estão, neste momento, sendo recebidos pelo próprio presidente para “negociar”. Negociar o quê, a liberação das estradas brasileiras que, mesmo sendo parcial, é algo que não pode ser aceito. Não é um bloqueio para protestos, pontual, não. E indiscriminado e para algo completamente estranho a reivindicações da categoria: afastar e prender os ministros do STF.

O que lhes vai prometer Bolsonaro: “calma, pessoas, eu vou fazer isso, mas vocês tem de me dar um tempinho?”

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