Brasil vacina tão lento que imunização, assim, só em 2025

 

Certa vez, no primeiro governo Brizola, o Globo veio fazer uma daquelas matérias-intriga, pedindo a posição do governo do Estado sobre o fato de que, num certo tempo, teriam acontecido “x” manifestações na porta do Palácio Guanabara, oito ou dez vezes mais do que tinham ocorrido no governo de Chagas Freitas: “o que o governo achava disso?”, perguntou o jovem repórter encarregado de cumprir a pauta.

A resposta saiu “na lata”: o Governo Brizola achava ótimo. O “foca”arregalou os olhos: esperava uma “desculpa” qualquer e perguntou o porquê. Fui bem sintético e respondi em itens: em primeiro lugar, porque, agora, se podia protestar; em segundo, porque havia motivos para protestar, na enorme injustiça que era a vida brasileira e, finalmente, porque adiantava protestar, porque o protesto acelerava a solução dos problemas.

Os responsáveis pela saúde pública faltaram a esta aula. Estamos, como nas novelas, “esticando a vacinação” para que não apareça a realidade: temos poucas, gritantemente poucas vacinas, e só isso explica esquemas de vacinação fracassados como o que mostra hoje a Folha, de que estamos vacinando contra a Covid num rimo seis vezes menor do que, mesmo já com a pandemia instaladas, vacinamos contra a gripe em 2020.

Sim, é verdade que não temos vacinas em quantidade para alcançar os números absolutos que se atingiu ano passado, mas é completamente inexplicável que pessoas que pudessem se vacinar num dia tenham de esperar – e de se arriscar – por três semanas mais apenas para que “pareça” que tudo vai bem.

É claro que adiante esta diferença se encolherá pois, ainda que tarde, haverá vacinas em maior quantidade, mas é, de qualquer forma, assustadora a projeção de que, no ritmo atual, teríamos a população vacinada apenas em 2025!!!

Dimas Covas, diretor do Instituto Butantan e, agora, com a autoridade de quem trouxe para cá a vacina real – a Astrazêneca ainda é “amostra” grátis, ainda que bem paga – disse hoje que a previsão de Eduardo Pazuello é – ele é bem-educado – “sem base na realidade”. E é, porque isso é dito pela única instituição que está entregando vacinas para serem aplicadas.

É preciso que a população não seja iludida com “calendários” marotos de vacinação, que subutilizam a capacidade de nossa rede de postos de aplicação de vacinas – 38 mil salas, no país. Se a média de vacinação destes postos que existem e funcionam for tomada pela quantidade de doses que se aplicam hoje, o número de vacinado por posto é de apenas cinco!

Isso é um escândalo, um absurdo e um “me engana que eu gosto”, que explora a natural satisfação da sociedade em ver os muito idosos recebendo suas vacinas, aliás dias depois do que poderiam receber se não houvesse o “gargalo” etário de cada dia de vacinação.

É ocultar da população que o país tem poucas e tardias vacinas e, com isso, reduzir a pressão da opinião pública para que se exija das autoridades que elas consigam as doses necessárias.

A Prefeitura do Rio cancelou o calendário de vacinação de terça-feira próxima em diante. Sé é que chega lá. E isos não é um acidente, é previamente sabido.

No meu tempo, “obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro meio fraudulento” tinha um nome.

Estelionato.

 

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