Briga Salles x Ramos é a cara de um governo que não tem o que fazer

Queimadas devastam o Pantanal e a Amazônia; as agendas (sejam lá quais forem) do Governo estão empacadas no Congresso e tudo é adiado por falta de consenso e articulação política, o país (não) se prepara para a segunda onda da pandemia e vive a expectativa de que dezenas de milhões de famílias vão perder, sem terem empregos que as sustente, o auxílio emergencial com o qual sobrevivem e qual é a questão política que está nas manchetes?

Ah, sim, a “briga” entre o ministro Ricardo Salles (em tese, do Meio Ambiente) e o general Luiz Carlos Ramos, ministro da Secretaria de Governo.

Dela, sabe-se menos dos motivos – que seriam as bravatas de Salles dizendo que iria suspender as ações do Ibama por falta de verbas, o que, por sua vez, seria “boicote dos militares” – e mais das intrigas, como a grosseria de chamar-se o general de “maria fofoca”.

Fica-se sabendo que Salles, por sua estupidez, é um dos favoritos do que chamam de “ala ideológica” do governo, que seriam olavistas, duduístas e carluxistas. Talvez porque preencha os requisitos de obstusidade e agressividade necessários ao rebanho.

Agora, o Legislativo em peso – Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre e os líderes do “Centrão”- sai em defesa de Ramos, de quem dizem ser um bom articulador, o que deve ser lido como um bom “liberador” de emendas parlamentares.

Seria um caso deprimente se não estivéssemos à beira de entrar numa voragem, talvez mesmo antes da virada do ano. É, entretanto, pior: o retrato de um governo que não tem o que fazer, senão arrastar seu medíocre dia a dia de uma política de costumes reacionária, uma milicianização das Forças Armadas e, na economia, uma caçada impiedosa aos direitos sociais e a aniquilação final de nosso patrimônio e de nossa natureza.

Passador de boiada ou maria fofoca são nome macios demais para quem jamais poderia estar dirtando políticas públicas.

 

 

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