Clima de “briga de rua” não cessa e governo parece gostar

Em um governo dirigido por pessoas sensatas, a regra é buscar, mesmo sabendo impossível que seja total, a aprovação a mais geral possível para seus atos.

Faz parte da ideia republicana de que o governo é para todos.

Neste, porém, parece prosseguir a ideia da campanha de que o mais importante é criar e alimentar um núcleo de defensores incondicionais, radicalizados em palavras e posturas, com uma mobilização em redes sociais que sirva de chamariz ou intimidação sobre agentes políticos e grupos institucionais conservadores, mas inorgânicos.

A menos que tenha acontecido uma chantagem explícita, expressa ao chantageado com algo que ele saiba que é de difícil escapatória – no que não acredito – nada mais justifica o fato de arrastar-se há cinco dias uma novela que  estaria hoje esgotada com “o poder de uma caneta Bic” e não mais quase monopolizando o noticiário.

Nada, senão o fato das SA bolsonaristas estarem excitadas, açuladas e exibindo sua ferocidade como nesta história das ameaças a que Gustavo Bebbiano, já não mais apelando aos off, confirmou em mensagem dirigida ao UOL, prometendo entrar na Justiça contra elas e, portanto, sugerindo que estão identificadas.

Jair Bolsonaro, como todo medíocre que ascende ao poder por uma conjunção de fracasso alheio e ousadia pessoal, precisa do clima de ódio para sustentar-se e impor-se aos grupos que vêem nele uma perspectiva de abocanharem nacos do governo para seus projetos. O que, de Moro aos generais, é a regra para os autoritários  não-bolsonaristas.

Estes Destacamentos Tempestade, que trovejam nas redes sociais e que existem espalhados ao ponto de termos medo de falar nos escritórios, nas esquinas e nos bares contra o ex-capitão, são o núcleo coeso de um governo fragmentado.

Talvez seja a eles que se destine a exposição mórbida do pré-cadáver de Gustavo Bebiano, para excitá-los.

A boa notícia é que o estoque de loucos, recalcados e primários, embora grande nestes tempos, continua sendo finito.

 

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8 respostas

  1. Fico imaginando onde vai se descarregar essa energia, quando os zumbis acordarem e perceberem o quanto foram enganados. Sim, porque a maioria dos idiotizados vai despertar em algum momento. Aliás muitos já o fizeram, mas estão calados com vergonha.

    1. “(…)maioria dos idiotizados vai despertar em algum momento(…)”

      Gostaria muito de ter esse otimismo…mas não vejo perspectiva.

    2. Interessante notar que toda a manobra, até aqui, foi no sentido de açular os loucos, os descerebrados, vários dos meus familiares, os escravos mentais das redes, os analfabetos políticos e funcionais, dentre eles também alguns dos meus familiares, mas nada que se afaste do modus operandi do bêbado americano, o tal Steve Bannon. A manutenção do foco nessa escória, a fim de obter medo por parte da maioria e posterior, se possível, cooptação ou silenciamento é coisa velha, que o citado bêbado copiou do Ministro da Propaganda de Hitler, Goebbels, e jogou dentro da parafernália atual de aparelhos celulares e redes sociais. A campanha, para eles, não terminou, porque eles não sabem o que fazer com o governo, do mesmo modo que o meu querido e saudoso cachorro, na noite em que, após anos de ameaças, soltou-se de mim e alcançou o caminhão de coleta de lixo. Se o câncer não agir antes, o caminho se divide em renúncia ou impeachment. Uma quarta via seria a similar ao reinado de Elizabeth II, com Mourão toreando os “garotos”.

  2. nenhum walking dead vai sair do transe tão cedo, desistam… Não foi o tal de Bannon quem disse q a estratégia criada por ele só funciona em ambiente de confronto permanente?! Pois então!

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