Colunista da Folha diz que mercado se lixa para o que Bolsonaro diz

Raquel Landim, colunista de economia da Folha, depois de listar várias declarações do clã Bolsonaro e de Ônyx Lorenzoni sobre a reforma da Previdência, dá a medida do que isso vale para “o mercado”: “Em outros tempos, esse tipo de turbulência seria suficiente para balançar os preços das ações e do câmbio, mas agora são ignorados solenemente.

Para levarem a sério, só se Paulo Guedes, que parou de falar, disser algo.

A coluna destaca o conceito de ignorância que – merecidamente, aliás – os Bolsonaro granjearam no mundo do dinheiro, exemplificando-o com as sucessivas declarações sobre “aumentar a idade mínima” para a aposentadoria por tempo de contribuição. Como não existe idade mínima para isso, ela não teria de ser “aumentada”, mas criada.

A verdade é que há pouco espaço para fazer mudanças profundas no mecanismo previdenciário e não são os aposentados por tempo de contribuição – que não chegam a um terço dos beneficiários do INSS – os que afundam as contas do sistema.

O nó do problema está nas aposentadorias altas das cúpulas do serviço público, mas reside também no fato de que a base de contribuições é subnutrida com a informalidade do trabalho e no fato de que um legião imensa de trabalhadores, por esta razão, contribuírem apenas por parte de suas vidas laborais e aposentarem-se por idade. Mesmo sendo mais baixos, comparativamente, os seus benefícios, eles são o dobro do número de aposentados por terem contribuído por pelo menos 30 anos (mulheres) ou 35 anos (homens).

A saúde da Previdência, em grande parte, depende da formalização dos vínculos de trabalho no Brasil, da qual estão excluídos 60% dos trabalhadores ( que um dia irão aposentar-se). Mas, num contrassenso, tudo o que se faz que querer precarizar mais ainda estes vínculos, como na estapafúrdia ideia da tal “carteira verde-amarela”.

Não surpreende nem importa muito o grau de credibilidade que este Governo tenha na gestão do déficit público no longo prazo. Importa o que ele vai abrir para o capital em matéria de fim de regulamentações e de venda do patrimônio.

O Brasil, para eles, não é um lugar para investir, mas para saquear.

 

 

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