Comandante do fuzilamento do músico diz que deram 257 tiros por “susto”

Quem quiser entender o que significa a proposta de “excludente de ilicitude” da dupla Sérgio Moro-Jair Bolsonaro, leia hoje, em O Globo, o depoimento do tenente Ítalo Nunes, que comandava o esquadrão de militares que fuzilou o músico Evaldo Rosa e o catador Luciano Macedo, em Guadalupe, na Zona Norte do Rio.

Diz ele que sua tropa estava “assustada” porque teria trocado tiros com os traficantes e ouvidos estes dizerem pelo rádio (???) que queriam ver o sangue escorrer da viatura militar. O catador Luciano, que todas as testemunhas civis viram ir tentar ajudar o músico baleado seria, na verdade, um assaltante e, por isso, teriam atirado, sem explicar a razão de terem acertado o carro do “assaltado” com dezenas de tiros de fuzil.

No total, foram 257 disparos de fuzil, 77 deles realizados pelo tenente Ítalo, 62 acertando o carro de Evaldo. Nele estavam, além do músico morto, sua mulher, uma amiga, seu sogro e uma criança de 7 anos.

O relato, claro, se ajusta perfeitamente às premissas de “medo, surpresa e violenta emoção” com que se quer tornar assassinatos isentos de processo criminal.

Quem vai provar que não estavam assustados e que merecem o excludente? Ou que não foram surpreendidos? Ou que não estavam sob “violenta emoção” com as supostas ameaças que alegam ter ouvido pelo rádio?

É fuzilar e contar a história.

Afinal, morto não pode se defender.

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