Comissário da mentira

Traz a Folha que o sr. Jair Bolsonaro “pediu” que fossem incluídas no Exame Nacional do Ensino Médio, questões que ” que tratassem o golpe militar de 1964 como uma revolução”.

O atual presidente, embora tenha uma ousadia intervencionista na instituições públicas que muitos dos seus ex-colegas de farda não teriam, é, neste caso, o representante de um pensamento que as Forças Armadas Brasileiras nunca tiveram e que, por isso, segue como uma maldição sobre todos os seus altos integrantes, mesmo aqueles que não concordam com intervenções sobre a vida política civil do país.

Sem qualquer intenção de chamá-los pelo que, na quase totalidade, não são, mostram-se incapazes de entender como se dão os processos históricos que separam as instituições de seus desvios.

É o popular “aceita que dóí menos”.

A história – e não “alguns historiadores”, como diz a Folha, descrevem o que se passou pela única forma que pode ser descrito: um golpe e uma ditadura.

Que precisam ser lembrados para que não aconteçam mais, não para que se glorifique o autoritarismo, a repressão política e a tortura e assassinatos daqueles anos.

Que são, exatamente, o que Jair Bolsonaro insiste em usar politicamente, como na louvação absurda de um militar desviado dos deveres e princípios das Forças Armadas, o falecido Carlos Alberto Brilhante Ustra.

A “página infeliz de nossa história”, como cantou Chico Buarque, assim, jamais irá para o passado, onde deve estar, até porque aos jovens brasileiros, ao chamar golpe de revolução estamos praticando a pior maneira de contar histórias: a mentira.

Negacionismo não faz a terra ser plana, nem 64 ser uma revolução.

 

 

 

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