CPI: o grande negócio era abrir a vacinação privada

O depoimento do coronel Hélcio Bruno de Almeida , mesmo truncado por uma série de recursos ao habeas corpus que o permitia calar-se quando julgasse produzir provas contra si, ajudou a desenhar como era o plano dos aventureiros picaretas que surgiram, fora e dentro do Ministério da Saúde.

A ideia de que poderia haver uma compra gigante de vacinas, como ofereciam estes espertalhões, além de comissões que poderiam valer milhões, era aliviar a pressão política causada pela ânsia dos brasileiros por vacinas e permitir que entrasse em prática a vacinação privada, a peso de outro, que permitisse negócios lucrativos – e isentos de fiscalização – para os que contribuíssem para destravar um mercado bilionário.

Isso fica claro na troca de mensagens entre Hélcio Bruno e outro coronel, este do Ministério da Saúde, Marcelo Bento Pires, na qual a intenção fica explícita:

“Se viabilizado pode atender a demanda do grupo crítico/risco e liberar a vacinação da iniciativa privada”

Esse era o filé. E por isso Hélcio se fazia acompanhar de empresários do ramo de vacinação privada, que já estavam comprando – ou achando que compravam – vacinas indianas da Covaxin, o único laboratório que não focou seus negócios na óbvia e urgente vacinação pública, como é adequada para uma pandemia, que se dissemina sem limites.

Aí está a explicação para a aparente irracionalidade de se lidar com grupos de desqualificados: a gula pela abertura do negócio bilionário de quem pretendia oferecer vacina a quem pudesse pagar. E não seria pouco.

E o faziam, está evidente, com a tolerância – e provavelmente a cumplicidade – de gente encastelada no Ministério da Saúde, onde a pressa e interesse nestes negócios contrasta, escandalosamente, com a desídia com que se tratava a compra de vacinas para o SUS.

 

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