Crise acima de tudo, desemprego em cima de todos

A Folha traz hoje dados e relatos que mostram o drama da população trabalhadora brasileira.

Desemprego dos jovens bate recorde, diz, apontando que a falta de trabalho chegava, na faixa etária de 18 a 24 anosa 29,7% contra 13,3% para o conjunto da população ativa. Chegava, porque os dados são do trimestre encerrado em agosto e esta semana o IBGE divulgou, com a nova PNAD, que aqueles 13,3 viraram 14% e, certamente, passou de 30% entre os mais jovens.

Pouco adiante, o jornal informa que o Trabalhador com mais de 50 anos ocupava 80% das vagas eliminadas no ano: 438 mil dos 558 mil postos de emprego que foram eliminados em 2020, eram ocupados por pessoas a partir de 50 anos. A reportagem ilustra-se com Josinaldo Ladislau dos Santos, 58 anos, 32 anos de carteira, carteira que há há quatro anos patrão algum assina.

É um dos que iria se aposentar “muito jovem”, nas contas de Paulo Guedes. Agora, dificilmente se aposentará senão quando transcorrerem os sete anos que lhe faltam para os 65. É provável que Josinaldo, vindo da Paraíba, tenha começado a trabalhar bem antes dos 18 e, assim, terá completado 50 anos de trabalho ou de busca por ele.

O corte nas duas pontas mais frágeis do emprego é assim, típico dos momentos de crise econômica que, sempre, atinge com mais força aos mais fracos. É como um suplício da Idade Antiga, o leito de Procusto, onde se decepava o que não “cabia na forma”.

Sustentou-se a economia com auxílios emergenciais, que já caíram à metade e vão zerar com o ano novo.

Ou não, porque uma nova onda da pandemia, como estamos vendo na Europa e nos EUA tornará inevitável a sua continuidade e, com ela, o caminho escolhido pelo Brasil: dever mais, sem mudar nada.

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