Crise ajuda Guedes na privatização da Petrobras

Paulo Guedes prepara-se para aplicar o ditado chinês de transformar “crise em oportunidade”. Num sentido inverso do que os chineses o aplicam, claro: a crise é para o país, a oportunidade é para o dinheiro.

Disse ontem, na Globonews, que Jair Bolsonaro, diante dos discursos em favor da  privatização da Petrobras, “levantou a sobrancelha”:

“O presidente levantou a sobrancelha… Ué, se o preço de petróleo sobe no mundo todo inteiro e não tem nenhum caminhoneiro parando no Trump, na Merkel ou na porta do Macron, será que tem um problema aqui?”, disse.
O presidente, no dia seguinte, teria mandado uma imagem para Guedes em que mostrava 60 bandeiras de empresas no setor de petróleo nos EUA e apenas uma bandeira, a da Petrobras, no Brasil. “Acho que ele quis dizer alguma coisa com isso”, explicou.

Se quis ou não, agora quer, porque Guedes abriu a questão.

Aliás, nem é verdade que só exista uma bandeira no setor de petróleo no Brasil. Desde 1997 não existe aqui monopólio estatal no petróleo. Ninguém é impedido de extrair ou de refinar óleo, desde que esteja disposto a investir e pagar os tributos e participações correspondentes.

A sobrancelha levantada é o sinal para Guedes aprofundar o que desde sempre é seu plano: vender o filé das operações da Petrobras – a sua rede de comercialização, via BR istribuidora, e entregar, na bacia das almas, o investimento mais pesado da empresa – se tomado em valor dos ativos – que é seu parque de refino.

E como fazer isso sem despertar a fúria do brasileiro? Seguindo a toada fácil de transformar a empresa em inimiga do país, com os preços que cobra.

Ou melhor, com os preços que aparenta cobrar, porque é a tributação que faz o valor pago nas bombas. Tanto é assim que o combustível menos tributado – o diesel – custa, agora, R$ 2,24 na refinaria e R$ 3,55 no posto e a gasolina, que sai da refinaria a R$ 1,94, chega às bombas por R$ 4,40.

E que não se fale que há monopólio na distribuição, porque nunca houve, nem mesmo nos tempos do “petróleo é nosso”.

Não há crise, como se vê, há oportunidade de negócios.

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25 respostas

  1. uns poucos vão ganhar muito $. Uns tontos vão achar que privatizando o preço baixa. Quando se derem conta, será tarde. E segue o baile do entreguismo

  2. Não entendi… quem manda na Petrobras não é o Guedes? Se houve aumento do diesel, foi ELE que autorizou, correto? O malvado é ele, não a Petrobras. Se continuam acontecendo maldades, é responsabilidade dele. Das duas uma: ele está mentindo ou é incompetente para administrar o que quer que seja. Culpar a empresa é o mesmo que prender a faca pelo assassinato.

    1. Mas foi o que a lava jato fez com as empreiteiras nacionais que ameaçavam os EUA….é a mesma metodologia…e a globo fomenta…Brizola estava certo

  3. Não tenho estômago para ver essa entrevista (aliás deixei de ver globo e que tais desde o golpe). Mas esses jornalistas devem ter tido orgasmos ao ouvir o tchutchuca dizer isso!

  4. Este episódio do aumento do diesel parece ter sido encenado. Primeiro, Bolsonaro finge que veta o aumento, depois o Tchutchuca consegue a muito custo “dobrar” o Bolsonaro e o aumento sai. Magistral. Quando os caminhoneiros saírem aos gritos, não poderão mais gritar “Fora Bolsonaro!”. Vão ficar confusos, vão dizer que a culpa não é dele. Vai ser uma culpa sem rosto, já que o novo presidente da Petrobras, o Castelo Branco ou o “Terror dos Cabelos Brancos”, ainda não é nem um pouco conhecido dos caminhoneiros. Mas trata-se de uma figura mil vezes mais deletéria que o Parente.

    1. Fora a grana que ganham especulando: Vende lá, que vou falar merda… Agora compra de volta, que vou passar um pano…

  5. Mais uma demonstração de desinformação ou má fé de nosso presidente. Um das principais bandeiras dos gilets jaunes franceses, que ha 22 sábados param a França, é o preço da gasolina e do diesel. Ja pararam a frota também. Hoje só quebram postos de pedágio …

  6. Do jeito que as coisas andam, vamos precisar de 100 anos pra consertar as merdas feitas desde o vampiro maldito e esse traste. Brasil volto 20 anos em 2 e agora volta 50 anos em 100 dias

  7. Do petróleo do pre-sal o que vai sobrar para os brasileiros depois das privatizações serão os mega acidentes ambientais, a Vale é um bom exemplo de privatizações dos lucros e socialização dos danos ambientais, sociais….

  8. Infelizmente, o povo brasileiro é extremamente mal informado e tem memoria curtíssima. Na crise do petróleo, nas decadas de 70 e 80, a existencia da Petrobras como, à epoca, grande compradora, garantiu o suprimento do país e até emprestimos externos para amenizar a crise fiscal.

  9. Vão vender na bacia das almas? Reconstruiremos outra…. Mas quem comprar essa a gente cuida depois….e sem arrego…quem vender VÃO PAGAR CARO

    1. Concordo. Venderam? A gente toma de volta. Sem indenização, porque quem comprar saberá que está cometendo um crime.

      1. Temos de preparar nossas botinas pra darmos pontapés nos ladrões, na curva da história….e ela está bem próxima…sem arrego

  10. Levantou a sombrancelha“… “Acho que quis dizer alguma coisa“…
    Estão jogando TRUCOOO???

  11. Isso não é oportunidade de negócio, isso é assalto mesmo.
    A ocasião faz o ladrão diz o adágio popular. No caso é o próprio ladrão quem faz a ocasião.

  12. “(…)e a gasolina, que sai da refinaria a R$ 1,94, chega às bombas por R$ 4,40.(…)”

    É preciso martelar isso (literalmente, se for necessário), na cabeça do Globotomizado brasileiro.

    A gasolina nos EUA realmente é barata, mas é uma das poucas exceções em nível mundial. E o contribuinte americano tem que pagar pesados tributos no imposto de renda para custear suas forças armadas que têm que estar em todo mundo para uma geopolítica do petróleo – e do petrodólar. Como diz o Friedman, “não existe almoço grátis”.

    Consta-me que a quantidade de petróleo que as forças armadas dos EUA consomem por dia é o equivalente ao consumo diário de um país como a Grécia.

    1. A alíquota máxima do imposto de renda nos EUA é de 38%. Na Europa, ela é maior, chegando até 50%.
      Aqui é de singelos 27,5%.
      Imposto sobre heranças e doações, naqueles países, gira de 40 a 50% (grandes heranças). Aqui, os Estados cobravam 2 a 4%, até bem pouco tempo.
      Resumo: em vez de tributar renda e patrimônio, a elite brasileira opta por tributar o consumo, assim, o pobre tem a honra de pagar a conta e deixar o patrão feliz e mais rico. Portanto, o Brasil pode ser visto como um paraíso fiscal para ricos e um inferno fiscal para a classe trabalhadora.
      É comum ver empresário chorando, na telinha da Rede Goebbels, pelo IPI, ICMS, PIS, COFINS que NÓS, consumidores, pagamos e que eles, muitas vezes, embolsam pela sonegação. São grandes atores? Não. A plateia é que é muito boba e ainda acha que o negócio do Cartel da Mídia é informar.

      1. Essa choradeira empresarial é ridícula.

        Se eles realmente estivessem interessados, essa reforma tributária de que tanto falam já teria saído há vinte anos. Poder para comprar votos eles tem.

      2. Essa choradeira empresarial é ridícula.

        Se eles realmente estivessem interessados, essa reforma tributária de que tanto falam já teria saído há vinte anos. Poder para comprar votos eles tem.

  13. Oportunidade de sangrar o povo mais uma vez e um pouco mais.
    Visão de predador: o Brasil é uma presa gorda, só precisa ser sangrada, esquartejada e devorada.
    Parece filme da década de 90: Bozo é o Exterminador do Futuro, Trump é Allien e Paulo Guedes é a cara do Predador.
    Só choque e terror!

  14. Um detalhe muito importante, que esse ministro imbecil (ou mal intencionado) omitiu: não tem nenhum caminhoneiro parando no Trump, na Merkel ou na porta do Macron porque LÁ não se cometeu a burrice de assentar todo o transporte de produtos do país sobre um único meio de transporte, LÁ existem ferrovias, LÁ existem hidrovias, LÁ existe transporte aéreo.

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