Dá para parar de ‘fazer arminha’ com a pandemia?

Amanhã, chegaremos a 2 milhões de casos conformados de Covid-19 no Brasil.

Domingo – o mais tardar, segunda – atingir-se-á 80 mil mortos.

Se Albert Sabin, Oswaldo Cruz e Louis Pasteur reencarnassem e fossem postos à frente do Ministério da Saúde não poderiam desfazer este desastre sem precedentes.

Mexeriam no que vem daqui para a frente, e com dureza, porque sem dureza não se vai interromper a velocidade de um avanço avassalador que, já que andamos às voltas com expressões militares, é uma verdadeira blitzkrieg.

Infelizmente, na fase inicial deste avanço, o homem que comandava o país não teve prudência para recomendar o recuo, para proteger sua tropa, de minimizar os danos e para reagrupar seus recursos para poder, adiante, fazer o enfrentamento.

Isso não quer dizer que não haja o que fazer, até porque temos, adiante, segundo as melhores projeções, uma centena de milhar de mortes no horizonte de médio prazo, hoje já localizado no final de 2020.

E o que há para fazer é exatamente o contrário do que tem sido feito, o de minimizar uma hecatombe e de propagandear marotamente a cloroquina, já reduzida à condição de um perigoso ridículo.

O que se espera de governantes que não queiram se associar ao genocídio que, na prática, esta mortandade representa?

Em primeiro lugar, restaurar o acatamento da população a medidas restritivas, ao contrário da loucura irresponsável de não só liberar todo tipo de atividade não-essencial como, ainda, ficar acenando com outras liberações delicadíssima – como a retomada das atividades escolares.

Depois, reforçar as medidas de bloqueio nas regiões que, embora em forte alta, ainda têm níveis de incidência mais baixos, como o Sul do país, onde a disparada de mais de 100% nos óbitos registrada nos últimos dias indica que a situação pode piorar muito. Ao mesmo tempo, iniciar ações de busca ativa em áreas de periferia, detectando e isolando casos onde, pela proximidade das pessoas e pelas carências locais, a taxa de transmissão tendem a ser muito mais altas, sobretudo em doenças de transmissão respiratória.

O país tem mais de 300 mil agentes de saúde. Há, portanto, um exército sanitário – este, de verdade – para atuar. Isso pode fazer diferença, se o governo passar a tratar o combate à pandemia como uma causa nacional e não uma fonte de polêmica e de de uma estranha ideologia que nega o óbvio.

Há muito mais a fazer, se o governo chamar os epidemiologistas que o Brasil tem, muitos e bons, e não coronéis, capitães, tenentes e até sargentos para gerir a Saúde.

Infelizmente, o que se vê é um festival de estupidez, transformando banalidades – como a de fazer o general-ministro passar à reserva, para que não se diga que um militar da ativa está destruindo a saúde pública.

 

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9 respostas

  1. Não adianta aliviar para os militares, fardados e de pijama, tentando jogar o crime apenas sobre o criminoso Bolsonaro: não é apenas o Genocida a “chamar (…) coronéis, capitães, tenentes e até sargentos para gerir a Saúde.”

    Os milicos chamados estão aceitando – de muito bom grado e a troco de um bom dinheiro extra e de parecerem mais poderosos – o papel de executores das ordens do Genocida.

    1. ..e pensar que fora o “exército de agentes de saúde” que vagam sem comando como nos lembra o Fernando, que até bem pouco, antes desse governo GOLPISTA e ideológico, suportado pelas FORÇAS ARMADAS, tb tínhamos o Mais Médicos que foi outro da assitência ao povo mais humilde ..ironia ou pegadinha do destino ?

      Todos criminosos !!! inclusive o “seu Mandeta” ..que a comunidade internacional não se esqueça !!!

  2. Esse Governo GENOCIDA sentará no banco dos reus.

    E esses genocidas, civil ou militar, pagarão por seus atos contra o povo brasileiro, o povo simples.

  3. Todos sabíamos que as tais “arminhas”resultariam mortes; primeiro da democracia e depois de oponentes ao regime de culto à ignorância bolso-olavista. Mas nunca esperávamos que pudesse contribuir com o coronavírus e sua mortandade aí, especialmente pela omissão e pela conduta do presidente (que sequer merece maiúscula para iniciar a palavra);. .

  4. Brito, no final de 1941, aí por novembro daquele ano, estava claro, claríssimo, que a União Soviética, a despeito de todas as estrondosas derrotas até ali, não seria conquistada sem ao menos 3 ou 4 anos de uma guerra gigantesca e desgastante, que absorvia todo o potencial industrial da Alemanha e de toda a Europa ocupada – sim, porque é pouco dito, mas as indústrias da França, Holanda, Bélgica, Dinamarca, Tcheco-eslováquia e etc estavam já a serviço do Reich, desde o início da ocupação.
    O genocida de então, inebriado pelas vitórias muito mais devidas à estupidez dos adversários no Oeste e no Leste do que à genialidade, seja sua ou de seus comandantes, exigia que seus exércitos prosseguissem, contra toda a lógica militar, para conquistar a URSS em no máximo mais três meses. Os comandantes, cegos pela própria vaidade, por terem, afinal, demonstrado para os seus inimigos quanto o exército alemão era o melhor do mundo e estava totalmente certo em sua concepção de como esse mundo deveria ser, salvo raríssimas exceções, não só não questionavam como até louvavam o genocida. A História, esse carril que atropela indiferente todo aquele que a negue, nos conta o que aconteceu com eles…
    Todo esse intróito foi só para dizer que nem o genocida daqui nem seus generais vão ver a verdade até estarem como von Paulus, cercados, semi-mortos, vendo suas verdades militares se desmanchando no ar. São trinta anos engolindo o sapo de ter que conviver com comunistas, esquerdistas, verdes, gays, negros, pobres, todo tipo de gente que, segundo a doutrina da Redentora, deveria estar ou na cadeia ou no túmulo; tendo que sofrear seu desejo de varrer do mundo essa gente que não tem juízo, segundo o seu juízo. Só verão a verdade do que representam neste momento para o futuro do país – se é que verão – quando não restar mais nada a fazer.

    Erramos, como Nação. Aceitamos um acordão por cima, não julgamos militares envolvidos nos crimes contra a humanidade e com isso dissemos, sobretudo para os outros militares, os que não sujaram as mãos de sangue nem de dinheiro, que aqueles é que estavam certos, pois não tínhamos “moral” para julgá-los. Deixamos de ensinar aos capitães, tenentes, majores e coronéis de hoje que aqueles que agiram contra a liberdade e a democracia não podiam continuar impunes. E se não punidos, com certeza era porque não carregavam culpa, mas seus atos foram, ao contrário, legítimos.

    Vai demorar, Brito, e muito, para curarmos essa ferida. Vai demorar, e muito, para que nossos militares aprendam que são militares do Brasil, de todos os brasileiros, dos gays, dos comunistas, dos verdes, dos negros, das mulheres, dos que suam sangue todos os dias para esse país continuar a existir, mesmo sem saber que são seus sangue, suor e lágrimas que sustentam esse gigante adormecido. Ainda teremos que morrer como moscas, ainda teremos que resistir nos esgotos, ainda teremos que ser uma imensa Stalingrado, coberta de sangue e imundícia, antes que nossos meninos de fardas entendam que, seja qual for a cor do governo, o Brasil tem uma só cor, à qual eles devem servir com seu sangue e alma, a cor do Povo brasileiro.

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