Deltan joga a toalha

É evidente que, se problemas de saúde na família há, devem ser respeitados, como os de qualquer pessoa.

Mas essa não é a razão da saída de Deltan Dallagnol da Força Tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba.

Deltan já tinha mais reclamações contra suas arbitrariedade do que seu escudo de blindagem judicial e midiática poderiam suportar.

Aliás, desde que partejou aquela estranhíssima fundação que deixaria sob o comando dos procuradores fundos bilionários pagos pela Petrobras, até mesmo em sua corporação togada passou a ser questionado.

No julgamento do Conselho Nacional do Ministério Público da terça-feira, safou-se por conta de um voto mutante do conselheiro Sebastião Caixeta que primeiro reconhecei a necessidade de abrir um processo administrativo disciplinar contra ele mas, com o julgamento já adiantado, em outros votos, “esclareceu” que o processo era merecido, mas intempestivo, por força das penas mais brandes terem prescrito. Prescrição, claro, alcançada pelos 42 adiamentos que o processo sofreu no CNMP.

Seu futuro parece ser a advocacia privada para grandes grupos ou uma nada improvável carreira política.

A saída de Deltan, entretanto, é uma benção para o seu patriarca, Sergio Moro. Deixa-o como “o último dos moicanos” da Lava Jato que, na prática, passa a ser dirigida por Augusto Aras e, portanto, sensível aos desejos do bolsonarismo.

Aras, aliás, tem conduzido para o seu campo de interesses a anomalia da delação premiada e parece pronto a esticar seus cordéis em outras direções.

Há razões para temer que, recuando Moro de suas pretensões políticas, resolva-se deixar a cabeça de Lula como prêmio da “pax togada” entre as corporações judiciais.

 

 

 

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