Economia -aqui e lá fora – finge que não vê a Ômicron

O mercado financeiro vai mal, por aqui e lá fora, mas atribui-se a perda de valor dos ativos em bolsa e câmbio à divulgação de uma ata mais “dura” do Federal Reserve, reafirmando o aumentos dos juros de seus títulos para breve.

Isso é sabido há tempos e não se pode esperar menos quando a inflação norte-americana atinge mais de 6%, o que é absurdo para os padrões daquele país.

Não parece haver, porém, a consciência de que, mesmo com os governos ocidentais pressionados a não criar restrições sociais diante da avalanche de casos de Covid, o grau que atinge hoje, em escala planetária, a nova onda da pandemia não pode deixar de bater feio na economia.

Só a partir de ontem os jornais e sites passaram a dar atenção ao tema, com foco nos sucessivos cancelamentos de desfiles do carnaval de rua em grandes cidades, num simplismo mental que não enxerga o fato de que o país não tem por dia os 27 mil novos casos que as estatísticas oficiais, sempre capengas, registram, mas duas ou três vezes mais, que a falta de testes e a testagem em farmácias, sem notificação, escondem.

Ainda assim, com um foco completamente distorcido, relatando os problemas que restaurantes e hotéis estão tendo com seu pessoal impedido de trabalhar por ter sido infectados com o vírus, como se isso não indicasse que, para isso acontecer, a clientela lhes transmitiu ou deles recebeu contágio.

E que simplesmente repor o funcionário não quebra a cadeia de transmissão que levou a isso.

Qualquer pessoa lúcida sabia que isso estava para acontecer desde o início de dezembro, mas ficaram apenas os “ranzinzas” a dizer que manter as festas de final de ano apenas com restrições “me engana que eu gosto” era uma imprudência.

Meias medidas não só expõem as pessoas que participaram de aglomerações como, sobretudo, ajudam a criar um clima de relaxamento em toda a sociedade, com toda a razão cansada de isolamentos, que está levando a esta explosão de novos casos.

Não se espante se voltarmos a ter perto de uma centena de milhar de casos por dia. Mesmo com taxas mais baixas de internação hospitalar e de letalidade da doença, qualquer pessoa que saiba fazer uma regra de três entenderá que serão muitos os sofrimentos e as perdas.

 

 

 

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