Equador: o governo não tem mais conserto

O que resta do governo equatoriano decretou, ontem, um toque de recolher no centro e a militarização da cidade de Quito, que há dias ele tirou da condição de capital do país.

Ninguém mais pode sair à rua após 15 horas.

As manifestações migraram para os bairros e à noite dezenas de manifestações com “cacerolazos” desafiaram as restrições.

Hoje à tarde há a primeira reunião entre Governo e movimentos indígenas, mediada pela ONU e pela Conferência Episcopal do Equador.

A chance de sucesso é minúscula, pela dificuldade de ambos em recuar.

O governo, por sua patente fragilidade e isolamento.

As lideranças comunais, pela evidente radicalização do movimento, que se pressentiu capaz de derrubar o governo e ter novas eleições, hipótese prevista na Constituição, expressamente.

Não podem esperar que dezenas ou centenas de milhares de indígenas voltem para casa simplesmente com apelos de ordem.

O governo de Lenín Moreno perdeu as condições políticas de comandar o país, embora exista um segmento de classe média que está disposto a dar a ele ou a qualquer um apoio contra a volta de Rafael Correa à cena política.

O presidente está em semi-clandestinidade, aparecendo apenas através de redes de rádio e televisão.

Toque de recolher e militarização da cidade não parecem ser aperitivos para uma solução de entendimento.

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21 respostas

  1. Viva o povo do Equador e sua luta por melhor condição de vida. Paz aos mortos dos enfrentamentos, que deram o maior de seus bens pelo povo e por seu país

    1. Força ao valente povo equatoriano que, diferente de nós brasileiros, prefere o confronto nas ruas. O gado daqui está mais interessado nos resultados do futebol e na vida das celebridades. Merecemos o bostanaro.

  2. E Haddad cada vez mais querendo tornar-se o nosso Lenín Moreno, como mostra seu artigo na Folha de ontem

  3. Li a seguinte notícia agora no UOL: Policia civil ‘perdeu’ imagens dos assassinos de Marielle no dia do atentado.
    Precisa desenhar?

    1. Demite por incompetência
      E o meu prazer
      A minha felicidade
      É a certeza do fim miseravel de centenas de milicianos

  4. O traidor, neoliberal/fascista e corrupto Moreno já perdeu totalmente as condições mínimas de governabilidade. Só lhe resta renunciar e o judiciário marcar novas eleições. O neoliberalismo está sendo arrasado na América Latina, só restando Brasil, Paraguai, Colômbia, Guatemala e alguns outros poucos. No Uruguai e na Bolívia a esquerda deve vencer as eleições presidenciais e no Chile já é dado como certa a derrota da direita na sucessão de Piñera.

  5. Os equatorianos votaram num traidor, que cometeu estelionato eleitoral ao dar um giro de 180 graus em relação ao programa de governo do antecessor Rafael Correa (que indicou sua candidatura à presidência).

    Ainda por cima, apoiou o “lawfare” contra seu próprio vice (que está preso), além do próprio Correa (que está na Bélgica).

    Sem falar na sacanagem que fez com Julian Assange, expulsando-o da embaixada.

    Já no Brasil foi um tanto diferente a questão. O povo – apesar dos avisos – preferiu suicidar-se. Foi algo voluntário. Boçal Nato disse que iria ferrar com tudo, e está cumprindo a promessa.

    1. Os equatorianos até podem dizer que foram engsnados pois Moreno, que fora vice de Correa, traiu uma linha de governo já conhecida.
      Aqui, ao contrário, era bem conhecido o caráter do canalha que a direita insistiu em levar ao poder. Foi desastre não apenas anunciado, mas procurado com insistência, pois, para a direita raivosa, o importante era “tirar o PT”.

    2. Mas a Globo vai fazer uma ampla reportagem mostrando como o povo equatoriano foi enganado com este estelionato eleitoral…

      Bolsonaro… 30 anos deslegislando… Pendurado em um mandato dado por um punhado de eleitores do Rio babacas

      1. A crise da direita na América Latina, é a própria crise da política neoliberal…..Resumindo: no seu atual estado de senilidade, o capitalismo já não consegue mais incluir os seres humanos. A cada dia, mais e mais seres humanos supérfluos são jogados para fora da economia de Mercado….Em toda parte do planeta, milhares de pessoas já não conseguem mais ser exploradas de forma rentável pelo capital.

    3. Alguns canais transmitem ao vivo a guerra urbana em Quito. Aos poucos, vão surgindo naturalmente as táticas e as estratégias entre os manifestantes que combatem a polícia nas ruas e praças. Uma vanguarda se divide em pequenos grupos protegidos por escudos improvidos, entre os quais há até portas de casas e antenas da Sky, e estes grupos avançam de repente, se protegem nos escudos colados uns a outros e lançam rojões sobre a polícia, retornando, enquanto outros grupos já avançam em seu lugar. Construíram várias muretas de blocos de cimento, e há pneus e outros combustíveis em grandes fogueiras espalhadas por lugares estratégicos. Uma fumaceira cerrada cobre grande área do centro da cidade, somando a fumaça das bombas policiais com as das figueiras. De vez em quando uma massa maior se desloca gritando palavras de ordem, avançando e recuando. A polícia já tentou avançar sobre a massa em grupos semelhantes, mas um desses grupos recebeu em cheio um coquetel molotov, o que o fez recuar desorganizadamente e deve ter aprofundado o medo entre a polícia. Um dado importante é que o entusiasmo dos manifestantes não arrefece.

  6. O Equador está à beira de uma guerra civil por obra e graça do “presidente” Lenín Moreno. Só sua renúncia evitaria o caos total.

  7. O pacotaço nem passou por aprovação da assembleia. Os indígenas sabem que depois virá a invasão das terras deles pelas mineradoras – querem fazer lá o mesmo que o governo Bolsonaro quer fazer aqui com as terras indígenas. A diferença é que lá os indígenas são parte importante da sociedade e da economia, tanto na produção de alimentos como no comércio. Vi uma entrevista com o ex-chanceler via GGN – a esperança para o impasse é que as forças armadas se dividam. Há vídeos no twitter que mostram que alguns de baixo das forças armadas não querem massacrar os das comunidades indígenas, pois eles mesmos são oriundos delas. Está uma situação difícil e com muita violência e repressão. Quanto ao toque de recolher, meu amigo que mora em Cuenca e me dá notícias todos os dias, disse que o povo deu uma banana, ele mesmo saiu tranquilamente, foi comprar comida e mais tarde foi até ao cinema assistir Coringa, rs.

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