FHC: despeito, vilania e carapuça

A vaidade e a vilania fazem com que Fernando Henrique Cardoso perca, além do pudor, também as qualidades que deveria conservar como sociólogo.

No fundo, o que motivou a escrever o artigo que publica hoje no “Financial Times” foi o fato de que, em texto publicado por Lula no The New York Times o petista ter afirmado que, ao final do Governo FHC “o  Brasil estava em crise” e parecia que a esperança de que poderíamos “desfrutar dos padrões de vida confortáveis ​​de nossos colegas na Europa ou em outras democracias ocidentais parecia estar desaparecendo”.

Carapuça enfiada até o pescoço, Fernando Henrique parte para dizer que “não é verdade” que esteja havendo um processo de perseguição política contra Lula.

Poucos dias depois de uma decisão do Comitê de Direitos Humanos da ONU, ele vai na contramão do que passou a entender a comunidade internacional, onde ainda se acha um “astro”.

Até como acadêmico é um fracasso, por trata do processo (e do impeachment de Dilma) como se fosse algo isolado, descolado dos movimentos das forças políticas, como se os acontecimentos históricos fossem eventos casuais, meros acasos que gerariam efeitos e não efeitos que se geraram das tensões políticas.

Não falta muito para dizer que Getúlio Vargas se matou porque tinha uma personalidade depressiva.

Fernando Henrique foi tratado por Lula (e também por Dilma) com dignidade.

Aos 87 anos, poderia se poupar do vexame de escrever um artigo sobre a situação brasileira onde se omite de tocar num fato evidente: que é no mínimo dramático que aquele que é notoriamente a maior liderança política do país estar detido numa cela e ameaçado de não disputar a eleição, outro lapso imperdoável para alguém que se julga o “príncipe da sociologia”.

A idade, no ser humano, tem estes efeitos antípodas: a uns, sublima ódios e rancores; a outros, reduzem-no a isto.

FHC não é vinho, é vinagre.

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