Filha da guerra a tráfico, narcomilícia domina 180 áreas no Rio

O Globo publica hoje informações sobre uma investigação do Ministério Público do Rio de Janeiro que teria apurado que em nada menos de 180 localidades da capital e da periferia milícias integradas por policiais ( e ex) exploram também a venda de drogas.

Nenhuma novidade neste tipo de associação criminosa. É fenômeno conhecido desde os anos 40, quando o jogo do bicho entrou de forma explícita no rol da contravenções penais e passou a ser fonte de renda para boa parte da polícia, sem que isso a impedisse de volta e meia “quebrar caixotes” dos apontadores de apostas e, mais raramente, “estourar a banca” dos donos do jogo.

A repressão sempre foi, claro, a face legítima da extorsão.

Assim, não supreende que o coronel PM José Vicente da Silva Filho, ex-secretário nacional de Segurança Pública, trace um diagnóstico semelhante sobre estas “narcomilícias”.

Durante muito tempo houve uma crença ingênua de que, pela origem policial, a maioria dos milicianos seria avessa ao tráfico. Ocorre que, ao renunciar ao freio ético e legal, eles não tinham por que não ir atrás do lucrativo negócio das drogas. Além disso, a notória participação de policiais nas folhas de pagamento dos traficantes gerou conhecimento para lideranças e integrantes operacionais do tráfico, que passaram o know-how aos novos empreendedores.

Mas não são só nas 180 áreas da “narcomilícia” que a associação entre militares, paramilitares e tráfico está estabelecida. Nos últims dias, soube-se dos estarrecedores episódios do leilão de armas pesadas e drogas promovido por policiais do Bope do Rio e do PM que traçava o roteiro do assassinato de um oficial da corporação por um grupo de traficantes.

Esta insanidade da “guerra ao tráfico”, que acumula quatro décadas de fracassos e sangue só continua porque, para muito além das milícias e agora narcomilícias, dá dinheiro e poder e gente muito mais graúda que policiais de cara de mau e prazer assassino.

Com benefícios para gente muito mais graúda ainda, talquei?

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7 respostas

  1. O oprimido pela polícia, não tem salvação, ainda mais com esta onda fascista no mundo todo! Estamos vivendo uma época muito complicada. Em algum momento vai ter conflitos seríssimos! Erros históricos de violência, estão sempre voltando e a humanidade não aprende! O ódio predomina. As consequências desse governo miliciano e fascista do Brasil e do Rio de Janeiro vão deixar dados históricos horrorosos. Cabe as pessoas do campo progressista sempre se posicionar contra esta onda de ódio!

  2. O que me surpreende é que tudo isso é transparente, como igualmente transparente é a ligação de Bolsonaro e família com as milícias, há já muito tempo. Ainda assim, a parcela da população que despreza a política destila ódio contra o PT e demais partidos da esquerda, ao mesmo tempo em que sequer se indigna com essa polícia e esse governo. Acho que nem Freud conseguiria explicar isso.

    1. Se Freud explicaria eu não sei, mas Wilhelm Reich explicou direitinho, no seu “Psicologia de Massas do Fascismo”.

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