Garantia contra apagão é, simplesmente, mentira

Pode até não faltar energia em quantidade suficiente para o país até novembro, quando volta o período de chuvas.

Mas a “garantia” do diretor do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Luiz Carlos Ciocchi, em audiência Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, que não haverá problemas de abastecimento energético é, simplesmente, uma mentira irresponsável.

E bastam os números do próprio ONS para demonstrar isso.

No Boletim de Operação de 15 de junho de 2020, relativo à véspera, com os níveis de armazenamento das represas do Sistema Integrado Nacional nas regiões Sudeste e Centro Oeste (70% do total do país) era o equivalente à produção de 110.245 Megawatt mês.

No dia 1° de novembro, havia água equivalente a 48.232 MWmês. “Gastou-se”, portanto, 62 mil MWmês para produzir energia nesta parte do período seco.

Hoje, segundo os dados de ontem do ONS, são apenas 62.371 MWmês acumulados.

O saldo previsível, ainda que o consumo não crescesse nada, seria ZERO.

Ocorre ainda que, quanto mais baixo o nível dos reservatórios, a partir de certo ponto, gasta-se mais água para produzir a mesma quantidade de energia, porque cai a pressão sobre os rotores das turbinas.

Estamos absolutamente à mercê dos céus: se o regime de poucas chuvas dos próximos cinco meses for apenas um pouco pior, não há manejo de energia que resolva o problema.

Há muita coisa inexplicável, até mesmo o fato de que as paradas programadas de manutenção de Angra 2 – que vai até julho – tira uma quantidade preciosa de energia do sistema nesta época de sufoco e já poderia ter sido, progressivamente, deslocada no tempo.

Falta chuva, sim, mas falta planejamento e políticas de otimização de nossa capacidade operativa.

E agora, com este absurdo de privatizar a Eletrobrás num período de crise, induz a fazermos um processo cheio de “jabtis”, para satisfazer interesses empresariasi e regionais, como a briga pelo nível mínimo da represa de Furnas.

Esta história de remanejo dos horários de consumo industrial para fora dos períodos de pico é, como se diz na gíria, “cascata”. É caro de fazer e vai pedir subsídios que vão recair sobre os consumidores familiares e comerciais, que não podem escolher, vão pagar em suas contas de luz.

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