Governador do Rio vira sócio da folia viral

O sr. Cláudio Castro, que chegou ao governo do Estado mais desconhecido do que conseguia ser o desastroso Wilson Witzel assumiu o lucrativo (ao menos politicamente, quem sabe mais que isso) negócio de sabotar as medidas restritivas de circulação tomadas para evitar que o Rio seja uma segunda São Paulo em matéria de caos pelo coronavírus.

Diz que vai à Justiça para impedir os prefeitos do Rio e de Niterói limitarem o funcionamento do comércio e dos serviços durante o “lockferiadão” (outra invenção brasileira) e mandou bares e restaurantes funcionarem até às 23 horas, mesmo que as prefeituras estabeleçam horário mais curto. Liberou todas as atividades, inclusive as “essenciais” academias de ginástica, shopping centers e tudo o mais.

Como as empresas mais responsáveis vão cumprir os “feriados” inventados até o final da Semana Santa, já deu para imaginar no que isso vai dar, não é? E agora com o agravante de que a PM pode, por ordens do governador, garantir que fiquem abertos os estabelecimentos que as guardas municipais deveriam estar obrigando a fechar.

O governador, notório puxa-saco de Bolsonaro, acredita que está cacifando sua carreira política – tem gente que acha que pode ganhar duas vezes na megasena – e, quem sabe, angariando alguma espécie de apoio do setor de bares, restaurantes e outros estabelecimentos à sua candidatura em 2022. Além, é claro, do das falanges da extrema direita.

Em condições normais, é claro que seria desautorizado pela Justiça, até porque a regulação do funcionamento de estabelecimentos deste tipo é basicamente municipal. Mas, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro tudo pode acontecer e sempre há um desembargador para liberar qualquer absurdo.

Este blog, que não tem Eduardo Paes como flor de seu jardim, lamenta que o prefeito tenha demorado a agir e achado que Castro não iria tramar – para usar a linguagem antiga – à socapa e à sorrelfa um acordo com os comerciantes.

O resultado será que continuarão as superlotações obscenas nos transportes e as transgressões que estão sendo incentivadas nas redes sociais por grupos bolsonaristas.

E o pouco ou nenhum resultado de medidas que são graves, trazem prejuízo à economia, acirram os ânimos e, como não acontecem plenamente, frustram tanto aos objetivos sanitários quanto às expectativas do país.

E, quem sabe para quantos, aos que viajam nos caóticos ônibus e BRTs da cidade, quem sabe uma passagem só de ida para a fila das UTIs.

 

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