Governo concedeu Norte-Sul por só 45% do preço que Lula obteve

Ninguém do Ministério da Infraestrutura veio a público esclarecer as suspeitas levantadas ontem pelos jornais El País e O Globo, em artigo de Gil Castelo Branco, da Transparência Brasil,  sobre o preço cobrado pela outorga do Trecho Sul da Ferrovia Norte-Sul, realizado ontem.

Ao contrário, todos, inclusive o Presidente da República, estão “comemorando” o alto ágio pago pela empresa Rumo, pertencente ao grupo Cosan, de R$ 2,7 bilhões, o dobro do lance mínimo exigido, de R$1,35 bi.

Muito bom, mas quando oferecem o dobro do que você pediu numa venda, a menos que o comprador seja louco, é sinal de que você pediu muito pouco.

O El País mostra que o estudo de avaliação econômica da Valec – estatal que construiu, nos governos Lula e Dilma a ferrovia leiloada ontem – previa, em 2008, um valor de R$ 3,83 bilhões em preços de  dezembro de 2008, o que dá R$ 6,5 bi corrigidos para hoje.

O Ministério Público Federal, o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União e a Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária – entidade que representa os ruralistas – afirmam que há uma série de vícios nesse certame, mas nenhum dos alertas demoveu o Governo Jair Bolsonaro (PSL) de ir à frente com o plano. O Planalto ignorou a solicitação de adiamento do leilão, assinou um acordo com o MPF e viu o ministro Augusto Nardes, conselheiro do Tribunal de Contas da União, acatar todos os argumentos do Ministério da Infraestrutura, e garantindo a realização da disputa.

Em O Globo, chama-se a atenção para a disparidade de preços já não em abstrato, mas na comparação concreta com os valores obtidos na outorga do Trecho Norte, feita em 2007, no primeiro governo Lula, vencida pela Vale:

 No leilão do Trecho Norte, em 2007, cobraram-se, em valores atualizados, R$ 2,8 bilhões, com entrada de 50% e quatro anos para pagamento total, por 720 quilômetros de ferrovia. Neste edital, com concessão de 1.537 quilômetros, o governo está pedindo só R$ 1,3 bilhão, com apenas 5% de entrada e 28 anos para pagar.

Simplificando, para ficar mais fácil entender: na mesma ferrovia, o governo Lula cobrou o preço mínimo (e houve quem pagasse) de R$ 3,9 milhões de reais por quilômetro de trilhos e o governo Bolsonaro conseguiu R$ 1,76 milhão. E, não tivesse havido o ágio, menos de R$ 900 mil por quilômetro.  E com o “facilitário” de pagar 95% do valor em 120 prestações trimestrais sem juros, só com correção pelo IPCA.

Há vários outros pontos sendo questionados?, sobretudo o direito de passagem, que permitiria a livre interligação com outras ferrovias operadas por empresas diferentes. As regras do leilão torna isso muito difícil e sujeito ao preço que a Rumo quiser cobrar. Não há nenhuma razão técnica para isso, pois a ferrovia é tão extensa que nela poderiam operar, ao mesmo tempo, quase uma centena de composições.

 

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16 respostas

  1. Augusto Nardes um ladrão contumaz,o mesmo GOLPISTA no processo da Dilma ,cuidou desta concessão por parte do TCU e ainda tratará da renovação da malha paulista com o mesmo grupo Cosan/Rumo do empresário Ometto???????????????
    Enquanto o miliciasno continúa a chamar a atenção para sua incompetência como presidente (alguns dizem proposital, a minha opinião é que é absolutamente natural,o cara é um demente) oROUBOcontinúa a correr solto nas sombras.Esta notícia foi dada pelo UOL ontem de manhã,não fosse este blog te-lo trazido a tona ,muita gente nem sabería.

    1. É parte do butim geral. Cadê o Moro? Cadê a controladoria da União? É assim que age o governo dos militares?

    1. Um ladrão, pronto, acabado, em plena atividade e agindo livre e impunemente. Por coincidência, seria o mesmo?

  2. EMPRESA
    ‘Foi feita a festa, mas a conta chegou’, diz presidente da Cosan
    “Os empresários precisavam de uma definição mais clara da economia”, diz Rubens Ometto Silveira Mello

    5.8.2016 |
    Globo+Baixe o aplicativo para ler esse e outros conteúdos

    RUBENS OMETTO SILVEIRA MELLO, PRESIDENTE DO CONSELHO DA COSAN (FOTO: REPRODUÇÃO/FACEBOOK)
    “Foi feita a festa. A conta chega e é preciso pagá-la”, diz o empresário Rubens Ometto Silveira Mello, presidente do conselho de administração da Cosan, um dos maiores grupos de energia e infraestrutura do país, referindo-se à gestão da presidente Dilma Rousseff. Mas, para Ometto, os sinais do governo de Michel Temer indicam retomada da economia do país. “Temer é do ninho político e terá condições para conduzir os ajustes necessários para que o país retome o crescimento”.

    “É preciso romper com o estatismo”, diz Rubens Ometto, do grupo Cosan.
    Agora, Ometto acha que o país deve tentar um governo de centro-direita para desencantar as reformas de que precisa para voltar a crescer. Nesta entrevista, o empresário declara voto em Jair Bolsonaro e diz que as reformas têm que ser feitas logo no primeiro ano, aproveitando a popularidade do presidente eleito.
    “Vou votar no Bolsonaro. Não vejo como é possível elegermos a esquerda depois de tudo que o país passou. Depois do fim do primeiro mandato do Lula, o Brasil foi andando devagarzinho pro brejo.”
    “Vamos tentar um governo de centro-direita e ver se ele rompe com as verdades estabelecidas do Brasil, o estatismo, a burocracia, a dificuldade de fazer negócios.”
    …..

    Eles, os gafanhotos do Mercado, não estão brincando e sabem o que estão fazendo….. E nós? Continuaremos a assistir a depredação, ao roubo, a apropriação indébita, a espoliação de tudo e de todos? Até quando?

  3. impressionante como escrevem tantas asneiras! o autor deste texto é tão simplório que desconhece a regra básica do mercado…”ativo gera lucro! passivo gera depreciação e falta de liquidez”

    1. Pois é, sofisticado é quem usa linguajar técnico para falar bobagem achando que os outros vão admirar sua “capacidade”. A outorga, vendida ontem, é um “ativo”, que gera dinheiro (e não necessariamente lucro, porque se você comprar uma casa por 100 mil ela é um ativo e não deixa de ser porque perceu valor, ou se depreciou, assim como um empréstimo em dólar, que é um passivo, pode depreciar-se com as mudanças do câmbio sem deixar de ser um passivo). O passivo são as obrigações derivadas dos créditos que se tomou para construí-la. Vou dar uma explicação mais simples, à altura de sua provocação. Se um dono de padaria vende um pão por um real e outro pão (igual, do mesmo peso, porque comparei custo por km) por 55 centavos, em qual dos pães fez melhor negócio?

    2. Então a Cosan comprou um passivo que vai lhe gerar prejuízo? Que interessante! Fale mais sobre isso. Se a Cosan quer investir em trilhos, por que não construiu, ela própria, sua estrada de ferro? Não sabe? Pois eu vou te dizer: ela espera que o governo (estatal) construa e depois compra, com preço abaixo do mercado. Qualquer criança que sabe fazer continha simples de Matemática entendeu o texto. Mas isso não pode ser esperado de bolsominions, acéfalos que são.

  4. Visto isto a unica pergunta viável é: Quem levou grana nisso? Quanto levou? e até pior, é incompetência?

  5. “… a dificuldade de fazer negócios…”. Agora está bom de fazer negócios, comprando pela metade do preço o butim a ser fartamente distribuído. E dois caminhões de banana, vindos do Equador, quase quebraram o Brasil! PQP.

  6. E teremos toda uma geração de biliardários, lastreada pelas vendas criminosas do patrimônio do país, vendido na bacia das almas, sem que se questione isso. Quem medirá o prejuízo, as perdas, as consequências para milhares de trabalhadores e para a economia das regiões afetadas por mais este roubo à luz o dia? E o judissiário de Pindorama, que assiste tudo em silêncio? Conivente, paticipante da divisão dos despojos de toda uma nação?

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