Greenwald, ‘pós-hacker’: tudo confirma autenticidade das mensagens

Depois de todas as notícias sobre a prisão dos tais “hackers de Araraquara”, o jornalista Glenn Greenwald se manifestou no Twitter, numa série de mensagens.

Como é obvio, ele não falou nada sobre ser ou não serem eles a origem da informação: isso seria violar o segredo de fonte jornalística, tanto se fosse para confirmar quanto se fosse para negar, o que indicaria “possibilidades”.

Mas reafirmou o principal: a autenticidade do conteúdo das mensagens, que é o que interessa sob o ponto de vista da informaçao. Leia o que ele diz:

Sergio Moro – sendo Sergio Moro – está tentando cinicamente explorar essas prisões para lançar dúvidas sobre a autenticidade do material jornalístico. Mas a evidência que refuta sua tática é muito grande para que isso funcione para qualquer pessoa. Vamos revisá-la:

1- Primeiro, lembre-se que no dia em que publicamos, nem Moro nem a Lava Jato negaram a autenticidade do material. Eles apenas negaram impropriedades. Foi só mais tarde que eles inventaram essa tática, quando perceberam que seus aliados estavam abandonando-os. Como a Folha reportou:

2 – Depois, a Folha trabalhou “lado a lado” com a nossa equipe e verificou a autenticidade do arquivo – inclusive comparando os chats dos seus repórteres com os promotores com o original. Como qualquer hacker poderia forjar isso? Obviamente, isso seria impossível.

3 – Depois da investigação da Folha, a Veja fez a mesma coisa, e concluiu a mesma coisa: o material é autentico, e contém coisas que um hacker nunca conseguiria forjar, inclusive conversas com seu próprios repórteres. Autêntico “palavra por palavra”:

4- Depois que Veja e Folha provaram de forma independente a autenticidade, um procurador do MPF disse ao Correio Braziliense que recuperou as conversas de seu telefone, comparou-as com o que publicamos e descobriu que elas eram completamente verdadeiras. Como um hacker poderia forjar isso?

5 – Então temos o @BuzzFeedBrasil. Duas vezes designaram uma equipe de jornalistas investigativos para determinar se o que publicamos correspondia ao que se sabe sobre a LJ. Ambas as vezes concluíram que o material que publicamos estava alinhado com todos os eventos conhecidos.

6- Temos então a distinta senadora @maragabrilli, que confirmou que a mensagem dela que publicamos era, na verdade, totalmente precisa. Como, Sérgio Moro, seus hackers poderiam ter forjado algo assim?

7- Todos nos lembramos do Faustão: ele confirmou sem hesitação a mensagem que enviou a Moro, publicada pela Veja. Obviamente, não havia como um hacker forjar isso. Esta é mais uma prova de que o material é autêntico.

8- Ainda nesta semana, mais uma confirmação veio de um ministro do STF: o ministro Barroso confirmou que a reunião privada entre ele, Moro e LJ – publicada a partir do arquivo – aconteceu. Não há como um hacker forjar isso.

9- Não nos esqueçamos de que o próprio Moro – relutante mas claramente – admitiu várias vezes que as mensagens secretas eram reais. Ele confessou dar sugestões a Deltan Dallagnol sobre testemunhas e se desculpou com a MBL por chamá-las de “tontos” – coisas que um hacker não poderia saber.

10- Finalmente, temos a mais forte evidência de todas: uma reportagem investigativa completa do El País na qual eles não apenas confirmaram a autenticidade das mensagens, mas também entrevistaram um outro procurador do MPF que confirmou que as mensagens são reais.

11- Quão mais conclusivo [se] pode ser? As únicas pessoas que cairão no jogo cínico de Moro são aquelas que querem cair. Qualquer um com a mínima racionalidade revisará essa evidência e verá facilmente que – como todos os jornalistas concluíram – ela é autêntica e bem incriminadora.

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