Huck, que era sem nunca ter sido, favorece Lula e Doria no 1° turno

Num primeiro olhar, a ser confirmado nas próximas pesquisas, a formalização da desistência de Luciano Huck de sua ameaçada mas nunca assumida candidatura a Presidência, beneficia, em maior grau, as candidaturas do ex-presidente Lula e dá algum oxigênio à debilitada pretensão de João Doria de alcançar o Palácio do Planalto.

O perfil do eleitorado que remanescia com Huck, segundo o Datafolha, é o de voto feminino e mais concentrado nos eleitores de baixa renda, o que favorece a sua transição para o candidato que mais se caracteriza por estas faixas de preferência eleitoral, Lula.

Além disso, elimina um “derivativo” eleitoral capaz de atrair voto popular e, portanto, dividir votos não-bolsonaristas. Ainda que pequeno (apenas 4% no último Datafolha), passível de crescimento.

João Doria, cuja expressão eleitoral anda tão baixa que nem ao próprio PSDB consegue empolgar, “ganha a perda” de um concorrente capaz levar votos com os quais pretende crescer. Talvez, até, um aliado informal.

A bulimia eleitoral do governador paulista é tanta que a tendência – se conseguir ser candidato – é ser abandonado na campanha por uma adesão a Bolsonaro de seus candidatos proporcionais, tal como já ocorre no DEM. Huck seria mais um adversário em São Paulo, um concorrente no meio empresarial e um competidor na capacidade do uso do marketing e da televisão.

A desistência do candidato global é um sinal alvissareiro para a recomposição das instituições democráticas. Huck sempre desdenhou os partidos, não participava do debate de ideias e, com outros empresários, trabalhava escancaradamente pela cooptação de parlamentares – e aspirantes a parlamentares – pelo caminho do dinheiro, subvencionando indiretamente candidaturas.

Mas o anúncio de Huck, ontem, ainda teve um traço positivo, velado que seja, de que ele não se transferirá ao bolsonarismo, ao dizer que, ao contrário do que fez em 2018, não se omitirá de ficar “ao lado de quem representar a defesa da democracia”.

Desmentiu ter votado em Bolsonaro – votou em branco, disse a Pedro Bial, na Globonews – embora confrontado com uma declaração eleitoral simpática ao então candidato. Verdade ou não, a “escapatória” de Huck, que ganha dinheiro grosso com sua aceitação pela opinião pública mostra que defender este governo é atirar-se numa fogueira.

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