Inflação sobe como esperado, mas queda pode estar mais distante

Os índices de inflação em outubro divulgados hoje pelo IBGE – 0,86% para o IPCA e 0,88% para o INPC- são altos, mas eram esperados, em razão da desvalorização do real e do ainda presente complemento da renda pela via do auxílio emergencial.

Considerando o avanço dos preços ao produtor, medidos pelo Índice Geral de Preços da Fundação Getúlio Vargas, também anunciado hoje, poderia ter sido pior:o indicador de preços no atacado subiu 4,86% em outubro, ante 4,38% em setembro, especialmente nas matérias primas.

O aumento médio de 6,78% nos preços das matérias-primas brutas permanece como fonte de maior influência no IPA, índice de maior peso no IGP. O aumento dos preços de commodities importantes vem sustentando repasses na cadeia produtiva que estão contribuindo para aceleração de bens intermediários (3,21% para 4,43%) e bens finais (2,74% para 2,95%). Este movimento também influencia os preços de materiais e equipamentos para a construção civil que subiram 4,15% nesta apuração”, afirma André Braz, coordenador dos Índices de Preços da FGV.

Os produtos de origem agropecuária tiveram um aumento espetacular – 9,51%! – e antecipam uma alta, em novembro – do grupo alimentação, o mais importante nos gastos das famílias.

Mas não são apenas os preços que preocupam.

Vão pesar na economia os problemas do impasse orçamentário que teremos adiante, quando o país se voltar para o inescapável fato de que não há com o que praticar a política de arrocho fiscal apontada como “solução” para o mercado financeiro e, especialmente, pelos economistas mercadistas, que estão suportando, com indisfarçável nojo, a ideia de que não é possível deixar milhões passando fome em meio a um caos sanitário mundial e seu inevitável efeito de retração no mercado.

Para resolve-los com o que contamos?

Com um governo enfraquecido por vários motivos: a provável perda da “cobertura Trump”, o mau desempenho eleitoral de seus candidatos, a perda de credibilidade de Paulo Guedes e o arrefecimento do apoio do “Centrão” que, passada a disputa pelas prefeituras, ameniza seus apetites – e concessões – por verbas capazes de produzir efeito eleitoral.

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