Inquérito sobre “papai” Paludo é a Lava Jato com seu próprio veneno

O fato de que o principal grupo de troca de mensagens entre os procuradores da Lava Jato era denominado “Filhos de Januário” basta para que se avalie ascendência, sobre eles, do procurador Januário Paludo que, junto de Deltan Dallagnol e Carlos Fernando dos Santos Lima, compunham, desde o caso Banestado, a corte do Ministério Público junto ao príncipe Sergio Moro e sua ânsia de poder.

Portanto, a abertura de inquérito pela Procuradoria Geral da República junto ao Superior Tribunal de Justiça (procuradores têm foro privilegiado) , se não for uma operação-abafa, tem um potencial explosivo muitos quilotons acima do escândalo da Vaza Jato, independente do fato de que as mensagens obtidas por Glenn Greenwald estejam a revelar uma conspiração judicial, mais grave que eventuais atos de corrupção de um procurador, porque envolve nela toda a máquina do sistema de Justiça.

É que o caso da suposta propina paga pelo doleiro Dario Messer , através de um advogado, a Paludo fere a Lava Jato com a inoculação de seu próprio veneno, o de pagamento de vantagens indevidas, que ela elevou a crime supremo, maior até que a conspirata contra as instituições políticas da República.

E vinda de uma fonte que não se pode tentar impugnar e desqualificar como hackers, mas que também foi, pela Lava Jato, erigida em oráculo da verdade: a Polícia Federal.

(Aliás, o acordo de delação premiada de um deles, obtido pela PF e homologado pelo juiz da 10a. Vara Federal de Brasília, anota hoje Lauro Jardim, em o Globo, desmente, outra vez, que o The Intercept tenha pago pelos dados vazados, o que reafirma a conduta jornalística de Greenwald)

Os próximos dias vão mostrar o alcance que esta investigação pode ter, embora a Força Tarefa da lava Jato continue insistindo em desqualificar de plano o conteúdo do diálogo travado pelo doleiro Messer. O procurador da PGR junto ao STJ, Onofre Martins, pelo resultado das correições feitas sobre seu ofício quando era procurador da República em Juiz de Fora (MG) tem um histórico de não arrastar processos e conhece bem a máquina da PGR – tem 24 anos como procurador.

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