Jânio de Freitas: reação aos médicos cubanos é “doentia”

O mestre (de jornalismo e decência) Jânio de Freitas, que não faz da exposição de ideias próprias uma atividade bissexta, vai na contramão do editorial de ontem da Folha e publica, hoje, artigo onde diz que a reação da corporação médica à vinda de profissionais estrangeiros “passaram a um histerismo gaiato e primário e já estão em atitudes fronteiriças de crimes” ao sugerir que os brasileiros “não socorram” seus eventuais erros. Aos cubanos, especificamente, diz ele que apenas anexaram um “recheio ideológico” à postura de indiferença às necessidades da população.

Leia Jânio já pela manhã. É bom para muita gente acordar.

O percurso

Jânio de Freitas

Dos argumentos polêmicos contra a vinda de médicos do exterior, dirigentes corporativos da classe médica brasileira passaram a um histerismo gaiato e primário e já estão em atitudes fronteiriças de crimes, com a incitação aos médicos a “não socorrerem erros” que, imaginam, os estrangeiros cometerão. Sem trocadilho: trata-se de um processo nitidamente doentio.

A vinda de médicos cubanos anexou à reação corporativa a sua utilização ideológica pelos comentaristas conservadores. Já se acumulam bastantes indicações, aliás, de que também as exasperações de vários dos dirigentes corporativos da classe médica não são apenas corporativas. Seu recheio é ideológico, ainda tão nostálgico da guerra fria que não consegue disfarçar-se o suficiente, assim como se dá com os comentaristas. Quanto a isso, nada de novo, portanto. Nem de importante.

Mas, em tanta e tão descomposta reação em nome da classe médica, como ficam os carentes da atenção de um médico nas lonjuras onde nem um só foi jamais visto? Esses numerosos conselhos de medicina, essas inúmeras associações de médicos, esses incontáveis dirigentes corporativos nada têm a dizer que não seja contra o preenchimento estrangeiro dos buracos de sofrimento deixados por brasileiros pelo Brasil afora?

Não têm nem uma palavra proponente, alguma preliminar de plano, uma iniciativa viável, para intercalar nas reações vociferadas à vinda de estrangeiros? Não, não têm. Nunca tiveram, desde que as urgências da saúde pública voltaram a ser um problema de consciência nacional, perdida com as primeiras décadas do século passado.

O nível tão baixo em que está a ação dos dirigentes corporativos não é justo com a classe médica. As referências, digamos, domésticas a esse episódio parecem largamente favoráveis à vinda dos estrangeiros. E, nelas, os criticados por suas reações são “os médicos”, assim generalizados.

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13 respostas

  1. O atual debate sobre o Mais Médicos é imbecil,
    uma fábula produzida.
    Não há escravidão, não há incompetência profissional, não há invasão socialista.
    O foco é desviar o debate do que realmente importa.
    O programa foi aplaudido por Veja em 1995,
    com os tucanos não houve polêmica.
    E a ideia dos petistas é a mesma: importar médicos cubanos.
    O que mudou de lá pra cá?
    Os governos?
    Desculpe, mas o descaso de ambos com a saúde é o mesmo.
    A história conta que ambos são pró-indústria farmacêutica e à terceirização/privatização da saúde.
    O que mudou é a visão política da sociedade.
    Hoje, sabemos que programas sociais de grande abrangência são viáveis.
    Sabemos que é possível mudar o país pela mobilização da sociedade.
    E, o que com os tucanos era um programa de saúde,
    hoje, é um programa social.
    Social porque o objetivo é democratizar a saúde.
    Dar o direito ao cidadão de ter acesso ao médico.
    É até poético…
    Começa pelo resgate e valorização do profissional da medicina.
    A via é a atenção básica.
    E, nesse campo, o Clínico Geral é o Grão Mestre.
    É com ele que começam a disseminação das políticas públicas de saúde.
    Ele encabeça o front da batalha.
    Mas a medicina brasileira fez deste um mero coadjuvante:
    vamos ao especialista antes de ir ao Clínico,
    é muito mais chique.
    Fazer exames nucleares é uma questão de status.
    E é pra poucos tratar dor-de-cotovelo com anti-inflamatório.
    Já o Médico da Família…
    Antes de ser um agente da saúde,
    é um ente político.
    Um epidemiologista.
    Sabe que cólera não se resolve com analgésico,
    mas com tratamento de água.
    Principalmente os cubanos…
    Sabe que a maior parte dos problemas de nossa saúde não está na saúde em si.
    Mas na falta de atenção básica,
    na pobreza e miséria,
    na falta de saneamento,
    nos vícios sociais,
    na falta de informação…
    Sabe por que vai à casa das pessoas,
    conhece seus hábitos, seu contexto.
    E não só de um indivíduo ou família,
    mas de todo um bairro ou comunidade.
    E é aí onde nasce o ódio do CRM.
    Não precisa provar-se seu alinhamento com os conservadores e indústria farmacêutica.
    Esta é a maior interessada na especialização médica,
    seu objetivo é vender anti-inflamatório para dor-de-cotovelo.
    Lutar pelas especializações é uma questão estratégica:
    pulveriza-se e, consequentemente, privatiza-se a base informacional da saúde.
    Desvincula-se a ciência médica de seu contexto de atuação.
    Fica bem mais fácil de provar que o déficit de atenção infantil existe.
    Basta financiar uma pesquisa para começar a vender um medicamento.
    Se for pra imbecilizar a população então, melhor ainda!
    E haja Ritalina!
    Percebem a ameaça que se trata a valorização do Médico da Família?
    Cria-se uma base de dados paralela.
    Uma base de dados que cruza as informações das políticas de saúde, com educação, planejamento urbano, etc…
    Cria-se uma base de dados local específica em cada comunidade.
    E os tratamentos tornam-se muito mais simples, precisos e eficientes.
    Epidemias passam a se resolver com políticas públicas locais.
    E a saúde de cada indivíduo com hábitos saudáveis e de acordo com sua realidade.
    O papel do Médico da Família é fazer esse cuidado.
    E a consequência natural é a fortificação da cultura pró-saúde ou de saúde preventiva.
    É inevitável, a venda de remédios despencará.
    É tudo que os laboratórios menos querem.
    Tirar deles o poder da cura,
    para devolver ao médico,
    que é parte da sociedade.
    É o resgate de nossa autonomia como indivíduos/cidadãos.
    É a constituição de um poder social paralelo, autônomo.
    Essa é a natureza, grandeza e força do SUS,
    no qual, acreditamos.

  2. Essas reações só demonstram que a vinda dos médicos estrangeiros foi uma medida certa e oportuna. Demonstra ainda o quanto nossos médicos foram mal preparados para trabalharem no Brasil. Parece que as nossas faculdades de medicina prepararam esses profissionais, para trabalharem em outro lugar, ou seja, para eles serem os estrangeiros em outra nação.

  3. Após tantos anos de governo agora que descobriram que faltam médicos no interior?
    Trazer médicos Sem ReVALidar é ferir nossa constituição, independente de ser americano, russo, inglês ou ter premio nobel ou doutorado. Revalidar é para qualquer profissional de curso superior ( engenheiro, biólogo, advogado etc). Alguém iria mandar crianças em transporte escolar com um motorista sem a CARTEIRA? Alguém permitiria construções de prédios por um engenheiro sem CREA?
    Médicos não trabalham no interior porque nãio há estrutura, e quando morre um paciente os familiares não aceitam esta “desculpa”, e o judiciário pode processar o médico por CONVENIÊNCIA ( sem não tinha estrutura por que ficou?). Mas acham que a saúde o problema é falta de médicos? A gente não tem filas de macas no chão dos hospitais? Um exame demora mais de 6 messes para ficar pronto, ambulâncias faltam, ambulâncias do SAMU sucateadas… Perguntem a um usuário do SUS se ele encontra todos os remédios nas farmácias do SUS?
    Como se pode ter dinheiro para estádios e olimpíadas e não ter para equipar as unidade, não ter para contratar outros profissionais de saúde? Saúde não se faz apenas com médicos….
    Todos estes programas são por bolsa. Então agora vamos acabar com a CLT? Serão todo mundo bolsista e não recolherá FGTS ( que ajuda na construção de casas populares e outros programas ), a bolsa não dá direito as férias e 13 salários, e não venham me dizer que é impossível fazer concurso público e pagar o mesmo salário com estabilidade.

    1. Você é um dos que merece ficar mofando em uma fila SUS, por que seu colega só bate o ponto e salta para o consultório onde ganha mais money.

  4. O Dr. Coxinha apagou sua conta de Facebook enquanto eu a filmava, mas consegui um vídeo de uns 8 minutos. Só de Marconi tem metade.

  5. Quem está contra a contratação dos médicos cubanos é porque nunca precisou do SUS. Por conta do descaso de uma médica que deixou de me atender posso não ter chance de viver.
    Não importa se são cubanos, chineses, ou de qualquer outro país, o importante e ter amor pela humanidade e salvar vidas que é o dom mais bonito que Deus proporcionou as pessoas.

  6. Dr. Rogerio Perillo, representa muito bem a grande maioria dos medicos brasileiros, mercenarios nao vocacionados, sem capacidade de diagnosticos e como avaros e interesses excusos, alimentam laboratorios de colegas com requisicao de exames desnecessarios, com custo ao estado, a maioria apenas digitalizam o ponto e nao trabalham , causando caos nos hospitais , nao tem pudor de insultar os verdadeiros medicos humanitarios que exercem a profissao como verdadeiro sacerdocio, se acham Deus, mas nao passam de demonios apoiados pela oposicao ao governo, que como nao ganham no voto querem o caos da saude em detrimento do povo, querem o poder a qualquer custo! Com excessao de MEDICOS que honram a classe medica e que exercem com abnegacao e responsabilidade tao nobre profissao que curam a principal especie do planeta o HOMEM, meus respeito e admiracao aos verdadeiros doutores. cito entre eles DR. JATENE, nao esquecendo muitos anonimos.

  7. Mais um canalhazinho vagabundo esse tal de Rogerio, querendo se aparecer, vá trabalhar rapaz e pare de enche o saco de quem quer.

  8. Cadê a mobilização e a repudia aos médicos da máfia dos órgãos de minas gerais, que anestesiaram uma criança para vender seus órgãos? O Concelho de medicina no Brasil tem moral nem pra xingar ladrão de galinheiro. Espero que os médicos Cubanos possam trazer também um pouco de Ética para essas bandas.

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